Depois da última pauta: saiba como os jornalistas lidam com a aposentadoria
Depois da última pauta: saiba como os jornalistas lidam com a aposentadoria
Trabalho sem registro no jornalismo não é um fenômeno recente. Até a década de 60, era comum encontrar nas redações um bom número dos chamados "aspirantes". Jovens que trabalhavam sem garantia em carteira e por poucos cruzeiros em troca do aprendizado com os grandes mestres. Os 50 anos que separam as máquinas de escrever dos computadores, entretanto, não foram suficientes para mudar a relação irregular entre empresas e profissionais do mercado jornalístico.
Os "aspirantes" deram lugar aos "frilas fixos" que, ao contrário de seus antecessores, ostentam, em sua maioria, um diploma na parede. Mas que, assim como os velhos colegas, continuam à margem da Previdência oficial. Além dos 'frilas fixos', em meados de 1990, um novo tipo de contratação começou a povoar os veículos. São os PJs (Pessoa Jurídica), empregados que abrem uma empresa para serem contratados como prestadores de serviço. Inicialmente, a prática era corriqueira apenas entre profissionais de cargos de direção, que para pagar menos impostos adotavam esta saída. Porém, nos últimos anos, para driblar os custos gerados pela admissão de profissionais pela CLT (Consolidação das Leis do Trabalho), muitas empresas também passaram a contratar repórteres e assessores PJs. As estatísticas mostram que o crescimento do número de não-contratados é visível.
Na metade da década passada, o Sindicato de Jornalistas de São Paulo estimava que por volta de 30% dos profissionais trabalhavam sem registro em carteira nas empresas paulistas. Hoje a proporção bate na casa dos 50%. Segundo o estudo do Sindicato, baseado na RAIS (Relação Anual de Informações Sociais) do Ministério do Trabalho, em 2005, havia 10.783 jornalistas contribuindo para a Previdência Social. O cálculo é que, pelo menos, o dobro desse contingente, ou seja, mais dez mil pessoas está fora do sistema. Ao todo, portanto, há cerca de 22 mil jornalistas em atividade no estado. "A tendência é que esse número só venha a aumentar. As empresas, para diminuir custos, não querem mais contratar jornalistas pela CLT", afirma o assessor econômico do Sindicato dos Jornalistas de São Paulo, Carlos Montoya. Exemplo dessa situação, o assessor de imprensa Pedro Corrêa, de 28 anos, já tratou de "correr atrás". Há três anos no mercado, sempre trabalhou como PJ. A saída, então, foi contratar um plano de previdência privada. "Desde o começo de 2007, contribuo com R$ 100 para um plano da Porto Seguro Previdência Individual. A idéia, nos próximos anos, é que a contribuição chegue a pelo menos R$ 500", revela. Regulamentado nos anos 70, o sistema de complementação de renda evoluiu de forma lenta, mas ganhou força a partir de 1994 com o controle da inflação. Hoje, cerca de 7,5 milhões de brasileiros têm investimentos em bancos ou seguradoras. Trata-se de um dos ramos mais dinâmicos do País, que cresceu 8,7%, entre 2005 e 2006, segundo a Fenaprevi (Federação de Previdência Privada e Vida). O diretor da Porto Seguro Previdência, Fábio Morita, afirma que o interesse de profissionais liberais por planos de previdência privada tem crescido. A faixa etária dos participantes dos planos da seguradora, que hoje é de 39 anos, vem caindo gradualmente. Com apenas R$ 50 é possível adquirir um plano, que basicamente pode ser o PGBL (Plano Gerador Benefícios Livres) ou VGBL (Vida Gerador de Benefícios Livres). Ambos são planos previdenciários que permitem ao cliente acumular recursos pelo prazo contratado. Nesse período, o dinheiro depositado vai sendo investido e rentabilizado pela seguradora. Nos dois tipos, o contratante passa por duas fases: o período de investimento e o de benefício. O primeiro ocorre quando o segurado ainda está trabalhando. Esta é a fase de formação de patrimônio. Já o período de benefício se inicia a partir da idade escolhida para começar a desfrutar do dinheiro acumulado durante os anos de trabalho. A maneira de recebimento é o cliente quem escolhe. A principal diferença entre os planos está na tributação. No PGBL, pode-se deduzir o valor das contribuições da base de cálculo do Imposto de Renda, com limite de 12% da renda bruta anual. O VGBL, por sua vez, é indicado para quem deseja diversificar seus investimentos ou aplicar mais de 12% da renda bruta pessoal em previdência. Isto porque, em um VGBL, a tributação ocorre apenas sobre o ganho de capital. Para o consultor financeiro Marcos Crivelaro, há uma mudança de mentalidade entre os jovens brasileiros que, aos poucos, deixam de ser imediatistas e passam a considerar o fator segurança diante de uma instituição historicamente desacreditada. "Para a contabilidade da previdência, o grande benefício é o tempo. Contribuindo com R$ 100 ou R$ 200, a partir dos 25 anos, por exemplo, aos 60 é possível resgatar uma boa quantia", afirma.
Leia matéria completa na edição 229 de IMPRENSA






