Depoimento de Mábia Matos, gerente comercial da Chapada Adventure (Lençois, BA) e José Otávio de Meira Lins, dono da rede MarOlinda de Hotéis em Recife.

Depoimento de Mábia Matos, gerente comercial da Chapada Adventure (Lençois, BA) e José Otávio de Meira Lins, dono da rede MarOlinda de Hotéis em Recife.

Atualizado em 20/01/2011 às 15:01, por .



Mábia Matos, gerente comercial da Chapada Adventure (Lençois, BA)

Acompanhamos bastante os veículos e sinto falta do meio digital e da televisão, principalmente televisão. Eu acompanho muito por alguns programas de TV, que às vezes tem uma informação ou outra nos canais abertos, nos fechados tem até mais. Acompanhava pela Rede Globo, RedeTV!. Mas pouco. Acredito que o "Globo Repórter" trabalha bastante, mesmo que não diretamente. Também os portais da Globo e do UOL. Tem uns programas locais aqui que não são locais, os temas são bons mas a produção não, o "Na Carona" (da Globo local) e o "Bahia Espetacular", que falam um pouco, mas não acho legal. Mas, na verdade, em turismo direto, quando o "Globo Repórter" cobre a vida silvestre e o ecoturismo, é muito bom.

Por outro lado, ainda falta atrair um público e explicar o que é ecoturismo. Viajar não é só você ver o lugar, mas também curtir, vivenciar o lugar... Dá a impressão de que é só chegar, olhar e pronto. Ainda mais aqui na Chapada, que é imensa, as pessoas não têm dimensão do tamanho.
Falta falar mais sobre parques nacionais, estaduais e os trabalhos desenvolvidos dentro deles. As empresas que estão certificadas na segurança de ecoturismo são pauta e é importante falar agora, para que procurem empresas sérias e seguras... Algumas delas foram contempladas por um projeto do governo federal chamado "Sistema de Gestão da Segurança", com selo Imetro, ABNT (o governo só patrocinou). Então é muito importante, principalmente no turismo de esportes. Primeiros certificados saíram este ano [2010]. Estamos num dos destinos [Chapada Diamantina] com mais empresas certificadas.

José Otávio de Meira Lins, dono da rede MarOlinda de Hotéis em Recife.

A cobertura é boa, mas sempre pode melhorar. Frequentemente estamos atentos aos veículos especializados e aos cadernos impressos que trazem seção de turismo. Por isso, percebo que alguns veículos se resumem a dar apenas dicas de viagens, e isso não deve acontecer. Turismo é um assunto muito amplo e, além de ter um forte viés econômico, podemos explorar novas pautas ou até abordar assuntos já explorados de forma mais aprofundada, porém, nunca deixar-se limitar.

A impressa é pautada de acordo com as suas possibilidades. O veículo que não dispõem de recursos financeiros, físicos e humanos talvez não tenham a mesma oportunidade de realizar uma matéria no mesmo patamar que veículos maiores e mais bem estruturados. Dessa forma, não acho honesto classificar a sua cobertura como boa ou ruim. Posso apenas dizer que costumo ler jornais como o Panrotas, Brasilturis e Mercado & Eventos.
Atualmente, assuntos como a Copa 2014 é a bola da vez. Estão bem cobertos. Mas podemos falar mais sobre eventos, turismo de saúde e outros segmentos que estão contribuindo para movimentação econômica em várias cidades do Brasil. Sobre o que o turismo gera de negócios, investimentos, o quanto a atividade está contribuindo e movimentando a economia de inúmeras cidades do país. Outra coisa: como os órgãos públicos e a iniciativa privada estão se articulando para atender à demanda de visitantes das cidades em que atuam ou como estão fazendo para incentivar a chegada de novos turistas? Quais são os novos segmentos turísticos? São inúmeras as pautas que podem ser trabalhadas...
Há muitas repetições. Assuntos abordados frequentemente, sem apresentação de novos dados, que sempre se tornam clichês e desgastados. Fala-se muito atualmente em Copa do Mundo, infraestrutura, capacitação. É um assunto de extrema relevância e que realmente deve ser abordado, especialmente o que já está sendo feito, mas é importante que a mídia não se deixe levar apenas por esse assunto.

Por outro lado, esse é o momento [de impulsionar o turismo]. Estamos na vitrine para o mundo. Temos que aproveitar esse gancho para mostrar o Brasil aos brasileiros e a quem está lá fora. O Brasil ainda é um destino caro, se comparado a outras opções de destinos que oferecem sol e mar. Mas temos cultura, uma excelente gastronomia, infraestrutura, paisagens deslumbrantes. Precisamos apenas trabalhar melhor esse produto. Aí que entra a imprensa como peça fundamental para divulgar e despertar o interesse em turistas em potencial. Talvez a realização de matérias, desvendando cada destino-sede para Copa e outras opções que podem ser visitadas também.

O brasileiro sente dificuldade em viajar pelo próprio país, devido aos altos custos. A imprensa pode contribuir, dentro das suas limitações, até porque algumas questões são mais culturais ou de acessibilidade. Mas entendo que o fato de trabalhar cada destino brasileiro, apresentando as suas peculiaridades, isso já é um fator que pode despertar a curiosidade de novos visitantes. A imprensa não deve estar muito ligada em mostrar o lado negativo, tenho dúvidas de que isso vende mais exemplares. Devemos mostrar também tudo de bom e belo que oferecemos.