Denúncia contra Greenwald é "cópia" da feita pela justiça americana contra Assange, diz CJR

De editorial do New York Times a postagem do pré-candidato democrata à presidência Bernie Sanders, não faltaram iniciativas nos EUA condenando a denúncia do Ministério Público Federal (MPF) contra o jornalista americano Glenn Greenwald por participação no hackeamento de celulares de autoridades brasileiras.

Atualizado em 23/01/2020 às 10:01, por Redação Portal IMPRENSA.


Todavia, a análise da revista acadêmica “Columbia Journalism Review” (CJR), da Universidade de Columbia, chamou atenção não apenas por classificar a acusação do MPF como “ataque hediondo à liberdade de proteção da imprensa, algo que jornalistas e qualquer um a favor da liberdade de expressão deveriam batalhar contra”.


A CJR definiu o caso de Greenwald como uma "cópia" da tese usada pelo Departamento de Justiça americano contra o australiano Julian Assange, fundador do site WikiLeaks, que vazou documentos do governo dos EUA. Para a publicação, a única diferença é que pesa contra Assange a acusação de espionagem, denúncia que por enquanto não foi feita contra Greenwald.

Assange deve ser extraditado para os EUA, onde sua pena pode chegar a 175 anos de prisão

O australiano, sustenta a CJR, também foi acusado de "atuação ativa" no vazamento de informações (neste caso, de documentos diplomáticos recebidos de um ex-funcionário do Exército). Esse foi o caminho encontrado pelos promotores para driblar a proteção da 1ª Emenda da Constituição americana, que trata da liberdade de imprensa e de expressão.


Preso em Londres desde o ano passado, após passar 7 anos recluso na embaixada do Equador, Assange tem um julgamento marcado para fevereiro, que decidirá sobre pedido de extradição feito pelos EUA.


Por ter difundido na plataforma Wikileaks milhares de documentos militares, principalmente sobre a atuação dos americanos no Afeganistão e no Iraque, Assange é acusado de conspiração e infiltração em sistemas de informação governamentais. Sua pena pode chegar a 175 anos de prisão.


Centenas de jornalistas de diferentes partes do mundo assinaram no fim de 2019 uma declaração internacional em defesa do fundador do Wikileaks.


Chamados de Diários da Guerra, os documentos que ele divulgou indicam que o governo dos EUA cometeu crimes de guerra e enganou a opinião pública.


Na época dos vazamentos o Wikileaks se associou a um grande número de meios de comunicação de todo o mundo. Um desses veículos foi o jornal espanhol Público, que recentemente defendeu em artigo que as ações legais em marcha contra o fundador do Wikileaks representam um "precedente extremamente perigoso para jornalistas, meios de comunicação e liberdade de imprensa".


O editorial da revista americana CJR vai na mesma linha e afirma que o caso Assange funcionou como uma espécie de gatilho, abrindo as porteiras para uma onda de ataques judiciais ao jornalismo em diferentes partes do mundo.