Demissão de colunistas é classificada como "desastrosa" por ombudsman da "Folha"

Para jornalista, houve falta de sensibilidade na condução do processo e "ignorou" o leitor

Atualizado em 17/11/2014 às 11:11, por Redação Portal IMPRENSA.

Em publicado no último domingo (16/11), a ombudsman da Folha de S.Paulo , Vera Guimarães Martins, comentou a onda de cortes no jornal — que atingiu, ao todo, 14 jornalistas e 17 vagas — e destacou a demissão dos colunistas Fernando Rodrigues e Eliane Cantanhêde.
Crédito:Reprodução Para ombudsman, jornal não explicou aos leitores motivo dos cortes dos colunistas
"Foram muitas dezenas de mensagens, a maioria movidas pelo mesmo espírito: espanto com o fato, indignação com a forma e revolta com o descaso. A demissão de Fernando Rodrigues e Eliane Cantanhêde foi uma operação desastrosa, não só pela perda que impôs aos leitores, mas principalmente pela falta de sensibilidade na condução do processo. O jornal ignorou aquele a quem serve - o leitor", escreveu.
Segundo Vera, pela linguagem empresarial, foi alegado um "ajuste para adequar os custos inflados por Copa e eleições, os mesmos fatores que, aliados à economia minguante, provocaram queda da receita".
"A lógica que levou à dispensa de dois nomes de primeira grandeza é simples, crua: após sucessivos enxugamentos, as Redações não têm mais gordura para cortar, e a mira se volta para os maiores salários, dos quadros com cargos superiores e/ou maior tempo de casa. Na frieza da planilha, a dispensa de um profissional antigo pode poupar meia dúzia (ou mais) de vagas", esclarece.
Vera reforça que, numa equipe com mais de 120 colunistas, Rodrigues e Eliane eram "grifes enraizadas". Fernando estava há 27 na Folha e, Eliane, há 17. "Nomes profundamente identificados com a cara do jornal e com seu leitorado, numa relação de mão dupla que não foi plenamente compreendida nem devidamente tratada", destaca.
A ombudsman também cita comentários dos leitores e afirma que a publicação apenas se manifestou dois dias depois e, ainda assim, não mencionava os motivos dos cortes. "Mau negócio para a imagem institucional. Jornais e jornalistas sabem que não há história contada pela metade: a parte que falta será preenchida por versões de toda sorte", opina.
Ela também comenta o fato de algumas teorias apontarem que as saídas estão relacionadas a eventuais pressões do Planalto. Segundo Vera, é "nonsense" gerado pela polarização eleitoral, uma vez que a publicação mantém colunistas críticos ao governo. Diz também que a mesma situação se aplica quando o jornal se limita a explicar informações, como a resposta enviada pela Secretaria de Redação.
"A Folha procura renovar de tempos em tempos parte de seu elenco de colunistas. Às vezes faz isso premida pela conjuntura econômica, outras por decisão editorial. Para dar exemplos recentes, Tati Bernardi entrou no lugar de Barbara Gancia, e Antonio Prata, no de Danuza Leão", defendeu a Secretaria.