Delegada da "Lava Jato" processa jornalista

A delegada da Polícia Federal Érika Marena, que batizou a operação "Lava Jato", acusa o repórter Marcelo Auler de calúnia e difamação por ter dito, em uma reportagem, que ela manteria uma boa relação com jornalistas vazando informações de investigações.

Atualizado em 31/10/2017 às 09:10, por Redação Portal IMPRENSA.

Érika Marena, que batizou a operação "Lava Jato", acusa o repórter Marcelo Auler de calúnia e difamação por ter dito, em uma reportagem, que ela manteria uma boa relação com jornalistas vazando informações de investigações. Crédito:Reprodução RPC/Globo Segundo o Conjur, a defesa de Auler pede que ele seja absolvido sumariamente da queixa-crime, alegando que as informações divulgadas vieram de depoimento de testemunha em inquérito policial, não havendo a intenção de ofender a honra de ninguém.
Em fevereiro de 2016, a revista “Carta Capital” publicou uma reportagem de Auler em que ele fala sobre os vazamentos por integrantes da força-tarefa a jornalistas. No texto, o repórter afirma que Érika adota a tática “de corpo e alma”. “Segundo um colega, ela costuma compartilhar com jornalistas as ‘operações de vulto, que abranjam pessoas relevantes política e economicamente, inclusive, por meio de vazamentos’”, diz.
Pela mesma reportagem, Érika Marena moveu ação cível pedindo indenização de R$ 100 mil e que o texto fosse retirado do ar. Mas o requerimento foi negado. A juíza Carolina Fontes Vieira, do 8º Juizado Especial Civil de Curitiba, entendeu que os fatos divulgados são de interesse público e não extrapolaram os limites da liberdade de expressão.
Os advogados de Érika Marena afirma que o repórter praticou calúnia, pois imputou a ela a prática do crime de violação de sigilo funcional. Além disso, Auler cometeu difamação, alegam os advogados, por ter feito a acusação em um meio de comunicação de alcance nacional.
A defesa do jornalista, no entanto, argumenta que não houve crime na reportagem. A queixa-crime não demonstrou que o jornalista teve dolo de caluniar e difamar. O texto, segundo os advogados, buscou apenas informar os leitores. As informações do repórter sobre vazamentos na “Lava Jato” têm respaldo em depoimento do também delegado da PF Paulo Renato de Souza Herrera. Em inquérito, ele afirmou que a colega acredita que, em grandes operações, que envolvam políticos ou empresários relevantes, é preciso ter atenção da imprensa, inclusive por meio de vazamentos, para impedir que a apuração perca força, ou seja, esvaziada por pressão política.
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