Crise no JB - Parte I

Crise no JB - Parte I

Atualizado em 07/10/2004 às 04:10, por por Mariana Zylbercan.

O portal Imprensa inaugura hoje uma série especial sobre o Jornal do Brasil.

Uma crise financeira ameaça tirar o jornal de circulação e nos incentivou a contar a trajetória de um dos veículos mais importantes da história da imprensa brasileira.

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1891, ano em que foi publicada a primeira Constituição republicana no país. Também em abril deste ano foi inaugurado o Jornal do Brasil, dirigido então por defensores do regime monarquista, que idealizaram o jornal como o principal veículo de crítica ao novo governo republicano.

Na época, havia o costume dos jornais hastearem pavilhões na fachada da sede para afirmar sua posição política. A bandeira que trepidava na rua Gonçalves Dias, 56, o endereço da primeira redação do JB, no centro do Rio, era branca com letras pretas, em oposição às cores dos partidos políticos, como um atestado de imparcialidade editorial.

Tal princípio de neutralidade ficou evidente no episódio em que Ruy Barbosa, diretor do jornal em 1893, teve que sair às pressas do país diante do decreto de prisão assinado pelo presidente Floriano Peixoto. Apesar de ter mudado o enfoque político, que passou a apoiar os republicanos, o Jornal do Brasil não hesitou em publicar a Revolta Armada e o estado de sítio decretado por Peixoto.

O princípio editorial levou o jornal a manter suas portas fechadas por um ano e quarenta e cinco dias, voltando a circular somente no dia 15 de novembro de 1894, dia da Proclamação da República.

Ao longo desses 113 anos de existência, o Jornal do Brasil continuou assumindo uma postura vanguardista na história do jornalismo brasileiro.

O grande ápice foi no início da década de 60, quando o JB inovou seu projeto gráfico, influenciando a maioria dos periódicos no país.

Almicar de Castro, escultor e pintor mineiro, e o escritor maranhense, Odylo Costa Filho, iniciaram a transformação do jornal então conhecido como “das cozinheiras”, em função do volume de anúncios classificados de empregadas domésticas publicados.

A renovação foi impulsionada pela criação do Suplemento Dominical do Jornal do Brasil e do Caderno B. Reynaldo Jardim, criador do SDJB, publicava uma coluna sobre os principais poetas modernistas. O novo projeto gráfico, porém, tomou grandes proporções quando o Suplemento concedeu uma generosa cobertura à Exposição Nacional de Arte Concreta, em 1956.

O engajamento do jornal ao movimento concreto, e depois ao neoconcreto, inspirou as mudanças gráficas iniciadas no Suplemento e Caderno B até estender-se da primeira a última página do jornal.

Além de inaugurar uma nova estética gráfica-editorial, essas publicações revolucionaram a concepção de caderno de cultura, que continham apenas assuntos voltados para o público feminino. O Caderno B publicava semanalmente uma página dedicada exclusivamente à crítica de cinema. Especialistas como Miriam Alencar, Maurício Gomes Leite, Alberto Shatowsky, Sérgio Augusto, J. Carlos Avelar, Ely Azeredo e Alex Viany analisavam e criticavam os principais filmes lançados na época, se tornando uma referência para todos interessados na arte cinematográfica.