Crise financeira deixa jornais franceses vulneráveis à compra por grandes grupos

Crise financeira deixa jornais franceses vulneráveis à compra por grandes grupos

Atualizado em 02/05/2008 às 14:05, por Christina Palmeira/Colaboração ao Portal IMPRENSA e  de Paris.

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Os diários franceses amargam um período de grandes dificuldades, segundo o relatório divulgado na última quarta-feira (30/04), em Paris, pela Associação dos Jornalistas Europeus (AJE). A raiz do problema é o resultado financeiro opaco dos jornais made in France , o que os deixa vulneráveis às ofertas de compra de grandes grupos.

Para se ter uma idéia do poder dos industriais na imprensa francesa, o Le Figaro , com uma linha editorial liberal e próxima ao Governo, pertence à família Dassault, leia-se os aviões militares Dassault, como o avião Falcon.

O Les Echos , principal jornal de economia na França, conhecido pela sua independência, foi comprado por Arnault Lagardère, homem mais rico da França, dono do império LVMH, o numero 1 da indústria do luxo, detentor de marcas como Louis Vuitton e os perfumes Dior. O Libération , fundado pelo filósofo existencialista Jean-Paul Sartre, e tido como um dos bastiões da esquerda francesa, está nas mãos do banqueiro Edouard de Rothschild.

Com isso, poucos são os redutos para a liberdade de imprensa. Resistem o Canard Enchaine - o pato acorrentado - que continua a fazer um jornalismo de investigação e, para quebrar a tensão, mistura algumas matéria satíricas. Para fazer frente à concentração da imprensa, alguns jornalistas de renome abandonaram suas mídias para projetos ousados e que estão dando certo na França.

Um dos principais cases de sucesso é o site Rue 89, que em breve completa um ano com base no tripé entre jornalistas, especialistas e internautas. Os editores vieram do Libération e fazem um trabalho de qualidade e já são reconhecidos pelos seus pares como uma grande fonte de furos. Há pouco tempo foi lançado o Mediapart , um projeto de Edwy Plenel, que durante muito tempo foi o "manda-chuva" do Le Monde .

Aliás, nem mesmo o vespertino francês escapa deste fenômeno de vacas magras e a sua frágil saúde financeira levou a uma mudança na composição acionaria. O diário é o único na França no qual os jornalistas são acionários. Mas o pífio resultado econômico está levando a um aumento do poder dos administradores em detrimento da força dos jornalistas.

No relatório da APE, os jornalistas europeus alertam para os casos de violação de liberdade de imprensa, entre eles o caso de um jornalista do Le Monde , que foi preso após publicar um artigo sobre as atividades da Al Qaeda na França. Mas é preciso salientar que, apesar das criticas que o presidente francês Nicolas Sarkozy recebe - principalmente dos socialistas - ele mantém uma postura que, em boa parte do tempo, procura salvaguardar a liberdade dos jornalistas.