Cresce pressão para libertação de jornalista americano detido pela Rússia

Quatro entidades brasileiras de defesa da liberdade de imprensa (Abraji, Fenaj, Repórteres Sem Fronteiras e Instituto Vladimir Herzog) divulgaram nota esta semana condenando a prisão pelo governo russo de Evan Gerchkovitch, repórter do jornal americano Wall Street Journal.

Atualizado em 11/04/2023 às 15:04, por Redação Portal IMPRENSA.


Gerchkovitch tem 31 anos, é cidadão americano de origem russa e foi preso no fim de março, no contexto da guerra na Ucrânia, sob acusação pelo serviço de segurança russo (FSB, ex KGB) de espionagem e de colher informações consideradas segredo de Estado. Crédito: Dimitar Dilkoff /AFP Evan Gerchkovitch, repórter do jornal americano Wall Street Journal: preso pelo Kremlin sob acusação de espionagem Na nota conjunta, as entidades brasileiras defendem a libertação do jornalista sem a imposição de condições por parte do governo russo. Ademais, afirmam que a prisão do repórter "não tem lastro em fatos" e consolida o governo de Vladimir Putin como inimigo da liberdade de imprensa.
Libertação imediata

"Repudiamos o ataque de Putin à liberdade de imprensa e nos juntamos às vozes que pedem a libertação imediata de Evan Gerchkovitch", destacam as entidades.
Ontem o presidente dos EUA, Joe Biden, também pediu a libertação do repórter. Mas negou planos de retaliação e de expulsar diplomatas russos do país.
Já Vedant Patelo, porta-voz do Departamento de Estado americano, voltou a enfatizar que "jornalismo não é crime". "Condenamos a contínua repressão do Kremlin às vozes independentes e a sua guerra contra a verdade." Patelo afirmou ainda que as acusações de espionagem são falsas e que o jornalista foi preso por motivações políticas.
Por sua vez, Maria Zakharova, ministra de Relações Exteriores da Rússia, chegou a afirmar que a detenção de Gerchkovitch "não era relacionada a jornalismo" e que é usual o emprego de disfarce de repórter para espionagem.
Gershkovich escreve sobre a Rússia desde 2017 e já trabalhou no jornal The Moscow Times e na agência de notícias francesa Agence-France Presse. Sua última reportagem no Wall Street Journal foi sobre a desaceleração da economia russa em meio às sanções ocidentais.
A tendência é que a prisão do jornalista seja usada para negociar a libertação de russos detidos no exterior, da mesma forma como ocorreu no caso da jogadora de basquete americana Brittney Griner. Presa por posse de óleo de canabis medicinal em um aeroporto de Moscou, ela só foi solta em dezembro último, mediante a concessão de liberdade pelo governo dos EUA ao traficante de armas russo Viktor Bout.