Correspondente do Estadão por 70 anos, jornalista francês Gilles Lapouge é retratado em exposição na USP
Correspondente internacional do jornal O Estado de S. Paulo durante sete décadas, o jornalista francês Gilles Lapouge, que morreu em 2020, aos 96 anos, está sendo homenageado pela exposição Um Barqueiro Entre a França e o Brasil, que foi aberta no dia 18 de setembro, no Instituto de Estudos Avançados da Universidade de São Paulo (USP).
Atualizado em 19/09/2023 às 15:09, por
Redação Portal IMPRENSA.
A cerimônia de inauguração da exposição integrou a programação da 2ª Semana Franco Uspiana de Cooperação Científica e reuniu Yves Teyssier d’Orfeuil, cônsul geral da França em São Paulo; Luciana Garbin, editora-executiva do Estadão; e os pesquisadores Antonio Dimas (FFLCH, IEB e IEA/USP) e Eugênio Bucci (ECA e IEA/USP).
A exposição marca os 100 anos do "mais brasileiro dos jornalistas franceses". Nascido em 7 de novembro de 1923, na cidade de Digne-les-Bains, Lapouge era filho de militar e passou a infância na Argélia, que foi uma colônia francesa até 1962. Crédito: Clebe Bonato - reprodução Estadão Lapouge em seu escritório, em Paris: lugar mítico para os admiradores do lendário jornalista Ex-estudante de história e geografia que sonhava ser poeta, o jornalista escreveu sobre importantes momentos históricos, relatados em livros e inúmeras reportagens e textos.
Primeira vez no Brasil
Lapouge veio ao Brasil pela primeira vez em 1951, quanto tinha 28 anos, para ser redator de economia do Estadão. Logo ficou amigo do então diretor de redação Julio de Mesquita Filho. Após três anos em solo brasileiro, voltou para a França, onde seguiu como correspondente do Estadão. No total, ele, que nunca se aposentou, publicou 11.100 textos para o jornal.
Lapouge também escreveu para veículos franceses, além de ter participado de programas no rádio e na televisão do país natal, onde falava sobretudo acerca de livros.
Em cartaz até 20 de outubro, no saguão do Instituto de Estudos Avançados da USP (Rua da Praça do Relógio, 109 - Cidade Universitária), a exposição em homenagem ao centenário de Lapouge é gratuita e conta com a reprodução dos principais textos do jornalista publicados no Estadão.
Jornalista e professor da USP, Eugênio Bucci disse ao Estadão que Lapouge foi um "correspondente na contramão". "Há uma sabedoria que vem, provavelmente do ‘New York Times’, que dizia que o correspondente deveria ser trocado a uma certa altura porque, com o tempo, ele poderia virar um local. Vale a pena marcarmos esse traço quase único de Lapouge, um correspondente tão longevo e fecundo que, desde a origem, era um local - mas um local que sabia o que importava para o Brasil.”
Por sua vez, a editora-executiva do Estadão destacou uma das várias passagens de Lapouge pelo jornal. Olhando pela janela do último andar do prédio da Marginal do Tietê, ele falou sobre São Paulo. “Há muitas cidades lindas no mundo. Mas vamos a essas cidades, voltamos outras vezes, e sempre encontramos as mesmas coisas. Em São Paulo, não. Cada vez que venho, preciso decifrá-la de novo”, lembrou Luciana Garbin.





