Corregedoria abre procedimento para investigar agressão contra jornalista na BA

Jornalista foi agredido por policial após se negar a apagar imagens de uma abordagem flagrada contra um amigo

Atualizado em 07/07/2015 às 10:07, por Redação Portal IMPRENSA.

A Corregedoria Geral da Polícia Militar da Bahia abriu um procedimento administrativo para investigar a denúncia de agressão feita pelo jornalista , em abordagem no último sábado (4/7), em Salvador (BA). Segundo ele, um policial o agrediu após ter se negado a apagar imagens feitas com celular de uma abordagem flagrada contra um amigo.
Crédito:Reprodução/Facebook Corregedoria investiga agressão de policiais contra jornalista na BA
De acordo com o G1, a PM informou que adotará todas as medidas para buscar a verdade dos fatos e que não concorda com as posturas agressivas por parte dos policiais. "Caso haja a confirmação da denúncia, a PM aplicará as sanções previstas em lei", informou, em nota.
Marivaldo Filho, que é editor de política do site Bocão News, jornal local, saía de uma festa no bairro do Bonfim, na Cidade Baixa, quando tentou registrar a situação. Em seguida, ele foi agredido na cabeça com algo que ele acredita ter sido uma pedra e foi acusado de desacato. O corte foi suturado com oito pontos na UPA do bairro de Roma.
"Tive que vencer o medo. Me disseram que poderia ser perigoso, mas decidi enfrentar até as últimas consequências. Faço isso porque essa não é somente a minha causa. Essa é uma causa de todos os negros da periferia que apanham da polícia e alguns até somem. É também a causa da liberdade de imprensa. Eu não tenho o direito de ficar calado", relatou ele ao G1.
Filho contou que a viatura estava com cerca de quatro policiais, mas a agressão partiu de apenas um deles. "Um deles tinha um olhar diferente, como se não concordasse. Tinha um do bem, um que destoava da forma que outros faziam. Isso eu percebi. Ele não estava na mesma sintonia. Não foi de encontro, mas não concordava", disse.
O Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Estado da Bahia (Sinjorba) ressaltou que os policiais envolvidos no caso "mostraram a ferocidade própria de jagunços". "Estes homens, que adotaram posturas próprias de malfeitores, receberam da autoridade estadual a função de proteger a sociedade baiana, o que torna mais grave a violência empregada contra um cidadão e jornalista, que, por dever de ofício, registrava uma agressão anterior contra um jovem envolvido em um desentendimento".
O Sinjorba alertou sobre a situação a entidades como a Associação Bahiana de Imprensa, Ordem dos Advogados do Brasil - Seção Bahia, Federação Nacional dos Jornalistas, Federação Interamericana de Imprensa, Organização Internacional do Trabalho, Anistia Internacional, ONU e órgãos de imprensa.