Corpo de jornalista sueca é encontrado na Dinamarca

A polícia dinamarquesa afirmou durante a tarde de quarta-feira (23), que o torso feminino retirado do mar báltico em Copenhagen é compatívelcom o DNA da jornalista sueca Kim Wall.

Atualizado em 24/08/2017 às 12:08, por Redação Portal IMPRENSA.

Desaparecida desde a semana passada, Kim foi vista pela última vez em companhia do inventor dinamarquês Peter Madsen, criador do submarino “Nautilus”, durante uma entrevista.

Desde seu desaparecimento a polícia realiza buscas na região com barcos, helicópteros e mergulhadores. A polícia também encontrou vestígios de sangue da jornalista no submarino. Agora, os investigadores tentam encontrar outras partes do corpo de Kim, que segundo a agência France Press, estaria mutilado.

No dia 11 de agosto, o namorado da jornalista denunciou seu desaparecimento, ocasião em que Madsen foi resgatado pelas autoridades de Öresund, entre a costa da Dinamarca e da Suécia, antes mesmo do naufrágio do submarino.
À polícia, o inventor afirmou que a jornalista havia desembarcado na ilha de Refshaleoen. Logo após ser detido, porém, Madsen mudou a versão dos fatos e disse que Kim havia sofrido um acidente e que ele teria jogado seu corpo na baía de Køge. A polícia acredita que o inventor tenha provocado de forma intencional o naufrágio do submarino.

Homicídio levanta debate
A morte Kim repercutiu em diferentes veículos de todo o mundo. No Brasil, o Coletivo de Jornalistas Feministas Nísia Floresta se manifestou levantando a discussão sobre a segurança das mulheres na cobertura das pautas. “Para executarmos nosso trabalho, necessitamos que as fontes confiem em nós, e nós precisamos confiar nelas. Não apenas no que dizem, mas confiar que não nos causarão mal quando estivermos no ‘território’ delas para uma entrevista exclusiva, por exemplo. Com uma cultura que fecha os olhos para o estupro, para o feminicídio e para outras formas de violência contra as mulheres e que entende que nosso lugar não é no espaço público exercendo uma profissão, nós nunca estaremos seguras. Precisamos questionar essa mentalidade”, afirmaram em nota divulgada em sua página oficial do Facebook.
As jornalistas questionam também uma série de fatos relacionados ao crime. “Não sabemos ainda o que de fato aconteceu, mas vários indícios nos levam a fazer perguntas inadiáveis: por que Peter Madsen mentiu sobre o desembarque da jornalista? Por que forjou um naufrágio? Por que, caso ela tenha morrido de acidente, não preservou o corpo e o local onde a morte ocorreu para que a polícia fizesse seu trabalho? O que ele tem a dizer sobre o fato de que há marcas de sangue da jornalista no submarino e sinais de que ele tentou manipular o corpo para que ele afundasse?”, perguntam.
O debate também recaiu sobre a questão da segurança dos freelancers, já que Kim não tinha vínculo empregatício com nenhuma redação. “Num momento em que os direitos de trabalhadores em todo o mundo estão sendo suprimidos, incluindo aí os trabalhadores da imprensa, com a diminuição de custos, menos investimento em apuração e aumento da contratação de free-lancers, qual é o investimento feito na segurança de jornalistas que vão a campo? Qual é o protocolo adotado pelas empresas jornalísticas quando um repórter não faz contato com a redação e desaparece? Em relação especificamente à segurança de repórteres mulheres, como essas empresas têm agido?”, indagaram.
Em artigo publicado no jornal inglês The Gardian, Sruthi Gottipati colega de Kim, afirmou que ela havia trabalhado em diversos locais como Quênia, Sri Lanka, China e Coreia do Norte, mas que “tragicamente, morreu no país que é considerado um dos bastiões da igualdade de gênero, a Dinamarca, o que prova que nenhum lugar é realmente seguro para as mulheres enquanto não houver o fim da desigualdade”, disse.
Outro lado
A tese da defesa não deve mudar com a aparição do torso de Kim, já que a necropsia não conseguiu explicar as causas da morte. "Meu cliente e eu estamos satisfeitos por, finalmente, ter sido estabelecido que (o torso) de Kim Wall foi o encontrado", declarou Betina Hald Engmark, citada pela Dansk Radio.
Após o anúncio das autoridades dinamarquesas, a mãe da jornalista expressou em sua página do Facebook sua "dor e raiva infinita".
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