Consórcio de 30 jornalistas dá continuidade a investigações de repórter assassinado após denunciar mineradoras

Criado com a nobre missão de prosseguir as investigações de jornalistas sequestrados, mortos ou ameaçados, o consórcio Forbidden Stories reuniu 30 repórteres, de diferentes países, para dar continuidade ao trabalho do comunicador Rafael Moreno, que foi assassinado em outubro do ano passado, na província colombiana de Córdoba, localizada no noroeste do país.

Atualizado em 19/04/2023 às 14:04, por Redação Portal IMPRENSA.


Antes de morrer, Moreno denunciou os danos causados pela atividade mineradora na região, mostrando que muitas vezes as empresas do setor extraem recursos sem permissão ambiental e sem consultar as comunidades indígenas, causando danos ambientais e à saúde das populações vizinhas. Crédito: Reprodução Forbidden Stories Nove dias antes de ser assassinado, jornalista pediu ao Forbidden Stories ajuda para proteger informações Publicado ontem em 32 veículos de notícias, incluindo a agência brasileira Amazônia Real, o trabalho coordenado pelo Forbidden Stories revela corrupção em larga escala e irregularidades que confirmam a apuração feita pelo jornalista assassinado.
Dinheiro dos EUA e da China

Boa parte das denúncias envolvem a região de El Alacrán, que é muito rica em minérios. Nascido e criado ali, Rafael Moreno criticava a extração ilegal de recursos minerais realizada por consórcios de pequenas, médias e grandes empresas, tudo com aval ilícito dos governos locais.
Outro alvo de suas denúncias é o megaprojeto mineiro de San Matias. Liderado pela empresa Cordoba Minerals, que é lastreada por capital proveniente dos Estados Unidos e da China, o projeto visa tornar a Colômbia um dos maiores produtores mundiais de cobre, ouro e prata. Em uma área de 20.000 hectares, a ideia é extrair 22.000 toneladas desses minerais por dia.
Moreno entrou em contato com o Forbidden Stories 9 dias antes de ser assassinado. Ele queria que suas apurações fossem protegidas na Rede SafeBox, que o consórcio criou justamente para permitir que jornalistas ameaçados resguardem as informações de suas investigações.
Apesar do importante trabalho investigativo que exercia, o jornalista não conseguia emprego em veículos de imprensa locais. Praticamente todas as suas denúncias eram publicadas no perfil do Facebook Vocês de Córdoba. Para complementar a renda, ele havia aberto um restaurante e um lava-rápido.

Veja a reportagem completa em português que deu continuidade ao trabalho de Rafael Moreno .