Congresso e Feira abordam o papel do professor diante da Geração Internet

Congresso e Feira abordam o papel do professor diante da Geração Internet

Atualizado em 06/05/2008 às 17:05, por Redação Portal IMPRENSA.

A transição do ensino tradicional para o do século 21, com todas as novidades da tecnologia educacional, será exposta na 15ª Educar - Feira Internacional de Educação, que acontece de 14 a 17 de maio no Expo Center Norte, em São Paulo. Com o tema "Portos de passagem: culturas e saberes em movimento", o evento espera receber 50 mil educadores de todo o Brasil e movimentar R$ 120 milhões em negócios.

As mudanças nos sistemas educacionais para acompanhar a chamada Geração Internet também será tema de diversas conferências do 15º Educador - Congresso Internacional de Educação e do 4º Educador Management - Seminário de Gestão em Educação, que acontecem simultaneamente à feira, com 51 palestras. A adequação da mentalidade e a qualificação do professor para o contato com jovens de capacidade cognitiva da era tecnológica vai esquentar os debates.

Para o diretor do Centro de Pesquisas e Tecnologia da Unip/Objetivo, Almir Brandão, não adianta usar uma lousa interativa só para escrever e um computador para transmitir slides, diz o. E acredita que a escola tem o papel de desmistificar a tecnologia e o professor, do século passado, de entrar na transição. Como? Participando, experimentando e conhecendo o universo do seu aluno.

"O professor não é mais o repositor da fonte do saber, isso a internet faz. O papel dele é de estimular, direcionar o conhecimento e interagir. Conseguimos com a lousa a convergência total: escrever sem tirar os olhos dos alunos, o que é muito importante", afirmou Brandão, que estará na Educar com a Sala de Aula do Século 21, do colégio Objetivo.

Daniel Igarashi, diretor de Pesquisa e Desenvolvimento da MStech, constatou que estudantes não usam e-mail. "Eles acessam sites de relacionamento como o Orkut e se comunicam por meio das suas comunidades. Por isso os portais fazem sucesso", disse o pesquisador que coordenou o Cowboy, proposta brasileira de laptop educacional de baixo custo.

Ele percebeu esta característica enquanto desenvolvia o iG Escola - um sistema de baixo custo que une software e serviço para incentivar o uso da tecnologia nas escolas. Com ele, uma escola com 500 estudantes paga pelo serviço a mensalidade de R$2,00 por aluno pelo suporte e manutenção. Daniel acha que é mito a resistência do professor à tecnologia.

Elisa Wolinec, que é Física, doutora e livre docente pela USP, afirma que existem estudos mostrando que a Geração Internet tem habilidades cognitivas diferentes das passadas porque foram submetidos a experiências de multimídia e tecnologia anteriormente inexistentes.

"É uma geração que se utiliza de tecnologias de comunicação e informação com facilidade e adora aprender na prática, experimentando e observando os resultados. Sem dúvida, a aula melhora com a utilização dessas tecnologias. Entretanto, se não for utilizado um processo de aprendizagem interativo e colaborativo, os resultados não terão avanços significativos. O uso de tecnologia sem adequar a pedagogia não amplia a aprendizagem. A aprendizagem é um processo ativo, que depende de oportunidade, motivação, interação com pares e contextualização", explicou Elisa.

Daniel Igarashi e Elisa Wolynec são dois dos 51 palestrantes do evento. O evento oferece ainda uma série de conferências, como a do professor da USP, José Carlos Cintra, que falará sobre "Didática para projetor multimídia" e do pesquisador Fernando Moraes, que fará "Retrato das novas paisagens da educação brasileira: um estudo de modelos de educação eletrônica".

No dia 14 de maio, os eventos funcionam das 15h às 20h, e nos demais dias, das 10h às 22h. O local do evento é o Pavilhão Branco do Expo Center Norte (Rua José Bernardo Pinto, 333 - Vila Guilherme - São Paulo - Metrô Tietê). A entrada ne feira é gratuita mediante apresentação de convite impresso do site ou R$ 7,00.