Comunicadoras indígenas recebem o Troféu Mulher IMPRENSA com transmissão ao vivo
A 17a. edição do Troféu Mulher Imprensa - Regionalidade celebrou a diversidade regional dentro e fora das redações no Teatro CIEE, em São Paulo, com transmissão simultânea e disponível no site do Portal IMPRENSA.
Os mestres de cerimônia deste ano foram os jornalistas João Fellet, repórter da BBC Brasil e Débora Freitas, âncora da Rádio CBN São Paulo, assim como em todos os anos, a fala de abertura ficou por conta do sócio-fundador e diretor de IMPRENSA, Sinval de Itacarambi Leão, que enalteceu logo no início de seu discurso a criação da Lei Maria da Penha, que completou 17 anos em 2023 e sobre como a partir deste movimento foi possível expandir a diversidade de direitos para as mulheres.
“A sociedade brasileira avançou no processo civilizatório. Era claro que a proposta de salários equiparados, idênticas oportunidades de ascensão na profissão, previsão de linguagem cotidiana nas redações e a criminalização de casos de assédio e violência conversam com a lei Maria da Penha”, disse.
Sinval finalizou dizendo que a luta de Maria da Penha, Chiquinha Gonzaga, que citou por sua luta incansável pela garantia da liberdade cultural e de pensamento em prol das causas humanitárias, são apenas alguns dos exemplos que mostram que a luta da mulher acontece por todo o Brasil e é também uma luta de todas as pessoas.
Crédito:Deka CarvalhoDurante o evento, as homenageadas compartilharam suas tradições e ancestralidades em discursos emocionantes e enfatizaram a importância de ampliar a voz das mulheres em um campo historicamente dominado por homens. Muitas delas encorajaram as novas gerações de mulheres jornalistas a persistirem em suas carreiras e a continuarem desafiando as normas determinadas por uma sociedade patriarcal e excludente.
Pela primeira vez na história do Troféu Mulher IMPRENSA duas comunicadoras indígenas estão entre as vencedoras. Luciene Kaxinawá, primeira jornalista indígena da TV Brasileira, ganhou na categoria “Regionalidade Norte”. “Eu fui a primeira da minha família a entrar em uma universidade e permanecer nela. Dedico esse prêmio a todos que foram rede de apoio e tornaram isso aqui possível. Por tantas vezes fui questionada pela minha capacidade de fazer as coisas, enfrentei muita misoginia, assédio, mas como mulher e indígena que sou passei por cima de todas essas coisas pra poder chegar até aqui” afirmou. Ao final do discurso e sob os aplausos do público, Luciene estendeu uma faixa em manifestação contra o Marco Temporal, em tramitação no Senado.
Já a comunicadora popular Elizângela Baré, apresentadora da Rádio Sumaúma, recebeu o troféu na categoria “Programa de Podcast de Jornalismo”. “Porangapituna! Estou aqui muito feliz. Como mulher indígena eu vivo do meu artesanato, não fiz comunicação, mas nós mulheres estamos na luta ocupando espaços. Quero dedicar este troféu às mulheres indígenas do Brasil, responsáveis por reflorestar mentes e por uma humanidade mais justa e igualitária. Nunca mais um país sem nós!”, disse.
Elizângela veio acompanhada pela equipe do Sumaúma Jornalismo, que completou um ano de existência, e pela jornalista Eliane Brum, madrinha do Troféu Mulher IMPRENSA. Dedicou o troféu a Sebastiana, liderança religiosa Kaiowá, queimada viva em sua casa há duas semanas e também à jovem indigena Maria Clara Vieira, estuprada e afogada na lama na região do Oiapoque, na semana passada. “É por elas que eu sigo minha caminhada", finalizou Elizângela.
Uma iniciativa da Revista e Portal IMPRENSA, a 17a. edição do Troféu Mulher IMPRENSA conta com o apoio do CIEE e da ACCOR, o oferecimento do coquetel da Boxnet e do I’Max, a parceria institucional da ESPM e da Intercom, e o patrocínio da Bayer, o evento foi transmitido ao vivo pela primeira vez na da premiação.






