Comunicação e Cultura - João Vieira Jr. / Facnopar- PR
Comunicação e Cultura - João Vieira Jr. / Facnopar- PR
Comunicação e Cultura - João Vieira Jr. / Facnopar- PR
Por O Ato comunicativo é antes de mais nada, necessariamente, algo que provoca um estranhamento, um incômodo no diálogo, que se caracteriza por começar com um problema. A comunicação começa com um problema, com um conflito de opiniões. A comunicação do mesmo não é comunicação. As relações humanas somente são possíveis em estado de crise, pois somente pode haver um diálogo efetivo quando houver diferenças de opiniões. Quando isto não ocorre, surge o tédio que é fruto da incapacidade de discordar e assim provocar o diálogo.
A aceitação pura e simples da "conversa" sem qualquer dúvida, abdica-se da inteligência, torna-se agente passivo da relação, não causa uma diferença calórica, não provoca atrito e, por conseguinte, chega-se à imbecilização da relação, levando ou tornando o outro naquilo que desejamos, eliminando todo nosso interesse pelo que o tornamos.
Na socialização, encontramos ocasiões, onde a comunicação de obviedades se faz necessário, porém, se não existir o choque entre o esperado e o inesperado, incertezas e dúvidas, não há ganho de conhecimento e a relação decresce ou se torna vazia. Porém se faz necessário o respeito pelas partes, das diferenças existentes.
Quando ocorre esta contrariedade de informações, entre o esperado e o inesperado, a relação se enriquece, e, o humor, o riso, surge da brincadeira com a expectativa do esperado, percebemos que em todas as piadas, a graça acontece quando há este conflito, e mesmo que seja praticamente impossível manter-se sempre, este conflito, devemos pontuar a convivência com ele. Ao contrário do que se supõe, devemos nos aproximar daquilo que nos é confortante, que é o nosso contrário. Contrariando o comumente praticado, logo na infância, pelos pais e primeiros mestres, que querem que nos tornemos cópias do que são, ensinando o mesmo, sem conflitos, sem crescimento, sem estímulos, não proporcionando à criança o significado das contradições, levando-nos a imbecilização.
A própria natureza gera, inicialmente, este conflito. A criança, ao nascer, sai do ambiente controlado e é jogado num mundo hostil, seco e áspero, onde se dá o primeiro ganho de conhecimento. Continuamente, graças a nossa mestiçagem universal, miscigenação de todas as partes do mundo, nos torna únicos e superiormente capazes de efetuar um diálogo. Devido às nossas diferenças de linguagem (em todos os sentidos), herdadas destas raças (índios, negros, ibéricos, germânicos, italianos, lusitanos e etc.), nos tornamos bastardos, mestiços e, não aplicando estes recursos naturais, nos leva a nos tornarmos imbecis.
Ressalte-se que o aumento de mecanismos tecnológicos a que temos acesso, não necessariamente, aumenta nossa qualidade de comunicação, pois é o uso dele que nos torna melhor comunicadores, é à busca das diferenças, com o auxilio destes mecanismos, que melhora o interesse e, por conseguinte, dá-se aquela efervescência cultural geradora da comunicação efetiva entres os dialogadores.
O uso destes mecanismos com efeito dominador, excluindo do outro sua opção do conflito, leva à fantasia do consenso, da paz, da harmonia familiar - ressaltando-se aqui que família nos tempos de hoje, é qualquer convivência efetiva entre 2 ou mais indivíduos num mesmo ambiente-, da dominação da relação por uma das partes e, por conseguinte, ao inevitável fim desta mesma relação, pela frustração da expectativa de crescimento e enriquecimento do diálogo, da alegria e do sabor desta mesma relação.
A comunicação deve ser buscada, então, não na "segurança" efetiva da proteção do lar, na proteção dos iguais, e sim "lá fora", entre os diferentes, com o respeito pelas partes das crises geradas pelas diferenças de opiniões, pela não necessidade de ser sempre igual, e nem pela obrigação de ser diferente, mas buscando sempre a harmonia conflituosa das diferentes temperaturas, do atrito, gerando luz e calor que aquecerá e manterá a curiosidade de cada um ativa e os unirá, neste crescimento sem fim, do diálogo respeitoso, conflituoso e enriquecedor.
Cabem a nós, comunicadores de modo geral, buscar e incentivar esta busca dos diferentes, este atrito relacional, este enriquecimento calórico, respeitando e aceitando os contrários, não como apaziguadores de crises e sim como respeitadores destes momentos cíclicos de buscas de relacionamentos, nas suas mais diversas acepções, usando nossa herança cultural, miscigenada, temperada sincreticamente e auxiliados pelos diversos mecanismos tecnológicos ou não, a que temos acesso. Estimulando a saída da segurança protetora-castradora de nosso casulo doméstico e apreciando todo o desconhecido rico universo que nos cerca, sorvendo este todo precioso manancial de conhecimento, que são os relacionamentos conflitantes, porém engrandecedores.






