Com Beyoncé no Brasil, mídia vende gato por lebre

Com Beyoncé no Brasil, mídia vende gato por lebre

Atualizado em 09/02/2010 às 16:02, por Thaís Naldoni.

Tenho acompanhado com certa curiosidade a passagem da cantora Beyoncé - um dos aclamados fenômenos musicais da atualidade - pelo Brasil. Desde sua alardeada vinda, a mídia nacional ficou polvorosa, afinal, quem sairia na frente? Quem conseguiria a entrevista exclusiva, a melhor imagem? A resposta é simples: ninguém. A artista não permite que seu show seja gravado, bem como cobra fortunas por uma exclusiva. Por fortuna, leia-se cerca de R$ 3 milhões. Dos shows, Beyoncé permite a gravação de quarenta segundos e não mais que esse tempo de exibição pelas emissoras. Para veículos impressos e sites, as exigências tanto para credenciamento quanto para o registro de imagens foram severas, gerando até mesmo reclamações dos profissionais. No entanto, como não poderia deixar de ser, emissoras, jornais e sites estão tentando "tirar leite de pedra" na cobertura da passagem da estrela pop pelo Brasil. A TV Globo, no programa "Mais Você" do último 05/02, anunciou a presença da cantora por meio da apresentadora Ana Maria Braga. Eis que surge no estúdio a drag queen Layla Ken, que, na tela dos telespectadores, tinha o rosto desfocado. Só no final da dança mesmo é que Ana Maria revelou a verdadeira identidade da suposta Beyoncé.
Já na TV Record, o programa "Domingo Espetacular" de 07/02 chamou uma "entrevista exclusiva" feita com Beyoncé. Na verdade, se tratava de entrevista concedida ao programa norte-americano "60 Minutes", exibido pela CBS, e que a Record comprou os direitos de transmissão.
Divulgação
A cantora Beyoncé

Já na segunda-feira (08/02), mais uma vez a pauta Beyoncé apareceu no programa de Ana Maria Braga, com entrevista da cantora Wanessa - que abriu os shows de Florianópolis e Rio de Janeiro (RJ) -, um pequeno trecho das apresentações feitas até então pela cantora e um vídeo de Ivete Sangalo, que abriu o show de São Paulo e fará as boas vindas à "diva" na Bahia.
Sites e jornais também entraram na onda e, sobretudo na cobertura online, foram notórias as tentativas de manter Beyoncé em destaque de alguma forma. Vamos a algumas chamadas: "Dançarinos de Beyoncé ensinaram coreografia em balada de São Paulo"; No show de Beyoncé, chuva deixou portão de entrada alagado e poças na pista; "Não é Beyoncé! Mãe da cantora aparece na varanda do hotel no Rio"; "Beyoncé pega na mão de Bruno Gagliasso durante show"; "Popozuda manda recado para Beyoncé escrito no próprio corpo"; "Beyoncé escorrega em Florianópolis"...
No caso dos sites, menos mau... nenhum está vendendo o que não pode entregar. Mas as emissoras de TV, principalmente, devem se atentar de que anunciar uma coisa e oferecer outra caracteriza a forma mais simples e clara de ferir os direitos do consumidor. Enquanto ninguém reclama, vamos continuar vendo muitas chamadas vazias e matérias atravessadas... e segurem-se: Madonna chegou!