Com ataque em debate, onda de hostilizações contra Vera Magalhães atinge novo ápice

O assédio de apoiadores do presidente Jair Bolsonaro à jornalista Vera Magalhães atingiu novo ápice nesta quarta-feira (14). O deputado estadual Douglas Garcia (Republicanos-SP) aproveitou o debate entre candidatos ao governo do estado de São Paulo promovido por Folha, UOL e TV Cultura para hostilizar Vera.

Atualizado em 14/09/2022 às 09:09, por Redação Portal IMPRENSA.


Com celular em punho, o parlamentar - que em junho levou o YouTube a suspender o canal oficial da Assembleia Legislativa do estado de São Paulo (Alesp) por sete dias devido a um vídeo com desinformação sobre covid - questionou Vera sobre seu contrato com a Fundação Padre Anchieta, que controla a TV Cultura. Na emissora a jornalista apresenta semanalmente o programa Roda Viva. Crédito: Reprodução Vera estava na área reservada para jornalistas quando foi abordada por Douglas. Ele repetiu várias vezes, aos berros, que ela é "uma vergonha para o jornalismo". A frase é a mesma usada por Bolsonaro contra Vera durante o debate da Band entre candidatos à Presidência, realizado em 28 de agosto.
No momento da confusão, Leão Serva, apresentador do debate e diretor de jornalismo da TV Cultura, aproximou-se subitamente do parlamentar, arrancou o celular de sua mão, arremessou-o longe e, ao finalizar a surpreendente ação, xingou a mãe do parlamentar.
Nas redes sociais, o jornalista justificou a atitude intempestiva. "Ele veio aqui visivelmente com a intenção de ‘lacrar’. A única solução possível naquele momento era afastá-lo da ‘lacração’”, disse Serva. "(Garcia) já tem uma prática de assédio a Vera Magalhaes há um bom tempo.”
Contrato com a Fundação Padre Anchieta

Também colunista do jornal O Globo e comentarista da rádio CBN, Vera Magalhães tem um salário bruto mensal recebido da Fundação Padre Anchieta de cerca de 22 mil reais. Ao gerar grande audiência e prestígio para a programação da TV Cultura, muitos especialistas acreditam que ela merece ganhar muito mais.

Mesmo assim, apoiadores de Jair Bolsonaro, incluindo alguns com grande quantidade de seguidores nas redes, como o pastor Silas Malafaia, passaram a afirmar que Vera ganha dinheiro do governo do estado de São Paulo para atacar o atual presidente. Para isso, divulgaram nas redes o valor equivalente a dois anos do salário que Vera recebe da Fundação Padre Anchieta.
Os ataques intensificaram-se após o presidente Jair Bolsonaro ofender Vera com ataques misóginos no debate com candidatos a presidente. Em 7 de setembro, na comemoração do bicentenário, apoiadores de Bolsonaro içaram uma foto enorme de Vera Magalhães em um guindaste.
Por ocasião da hostilização sofrida nesta terça, Vera registrou um boletim de ocorrência contra Douglas Garcia por “calunia e difamação”.
Em seu perfil nas redes sociais, Douglas Garcia divulgou um vídeo no qual negou ter agredido a jornalista.
Por sua vez, o ex-ministro da Infraestrutura Tarcísio de Freitas (Republicanos), que concorre ao governo de São Paulo, disse ter vetado a participação do deputado em eventos, sabatinas e debates. Garcia é candidato a deputado federal e foi ao debate acompanhando a comitiva do ex-ministro. “Jamais teria dado o convite se fosse para haver desrespeito a qualquer jornalista. O que a gente tem que fazer é afastar esse tipo de comportamento", disse Tarcísio.