Coleguinhas: Dib Carneiro, o sucesso do editor dramaturgo

Coleguinhas: Dib Carneiro, o sucesso do editor dramaturgo

Atualizado em 11/10/2007 às 18:10, por Redação Revista Imprensa.

O jornalista Dib Carneiro Neto leva uma vida dupla. É, ao mesmo tempo, alvo e flecha. Além de dar expediente como editor do temido Caderno 2, do Estadão, é dramaturgo profissional. Durante o dia, matem o olhar crítico às manifestações culturais; à noite, se torna ele próprio um criador. "Depois de um dia estressante dentro de uma redação, chegar em casa, ligar de novo o computador e mergulhar até de madrugada no processo criativo de escrever teatro é uma rotina fascinante. Não sei mais viver sem isso", revela o editor dramaturgo. Não é fácil cobrir e, ao mesmo tempo, fazer parte da classe artística. é "Não dá para negar que essa minha posição no jornal me dá um certo prestígio. Atrai público o fato de haver uma peça em cartaz escrita pelo editor do Caderno 2. Procuro agir com toda ética possível e não cuidar diretamente das reportagens relativas aos meus espetáculos. É claro que sempre fica um clima do tipo: "olha, vai estrear outra peça do chefe!". É só cuidar da pauta como ela seria cuidada se a peça não fosse minha, ou seja, nem com mais nem com menos destaque", afirma Dib.

Dib começou no Caderno 2 como repórter em 1992 e se tornou editor há quatro anos. Desde 1999 é dramaturgo. Sua primeira peça montada - "Adivinhe quem vem para rezar" - ficou 10 meses em cartaz e tinha no elenco Paulo Autran e Cláudio Fontana, que foram dirigidos por Elias Andreato."Não posso reclamar, porque entrei nesse ramo de uma forma muito privilegiada, uma verdadeira 'sorte de principiante'", conta. Sem ironia, o editor dramaturgo reclama do pequeno espaço dedicado ao teatro na mídia brasileira. "Nas páginas de jornal, a concorrência das matérias de teatro com as de cinema é desleal, porque cinema é mais popular, mais freqüentado, mais acessível à população". O último trabalho de Dib foi a peça "Salmo 91", primeira adaptação para teatro do livro de Dráuzio Varella Estação Carandiru. A peça ficou em cartaz no Sesc Santana e no Teatro Oficina, e agora segue para algumas unidades do Sesc fora de São Paulo.