Cinegrafista é ameaçado por soldado da ONU no Haiti e registra infração

Cinegrafista é ameaçado por soldado da ONU no Haiti e registra infração

Atualizado em 26/10/2010 às 09:10, por Redação Portal IMPRENSA.

O cinegrafista norte-americano Ansel Herz acusou um membro das forças de paz da Organização das Nações Unidas (ONU) em Porto Príncipe, Haiti, de ter apontado uma arma em sua direção e a um grupo de civis haitianos, durante um protesto no dia 15 de outubro. A ONU abriu investigação interna para apurar a denúncia de violação das regras de engajamento.

Segundo o jornal O Estado de S. Paulo , Herz, que trabalha como repórter freelance, estava filmando a manifestação na capital do Haiti quando teria sido surpreendido por um "militar jordaniano", integrante da missão da ONU conhecida como Minustah (Missão das Nações Unidas para Estabilização no Haiti), que teria disparado tiros para o alto. As pessoas presentes no local começaram a correr, em pânico, e pedir ao jornalista para filmar a cena.

Um fotógrafo que estava no protesto, o haitiano Etant Dupain, registrou a ação do soldado. "O militar que está na foto apontou a arma para mim, com o dedo no gatilho, e, em seguida, moveu o braço estendido com a arma em punho na direção de todos os civis que estavam ao redor", relatou Herz.

O cinegrafista disse, ainda, que presenciou outras infrações cometidas por militares das forças de paz da ONU na cidade. "Tudo isso me faz pensar em como os civis haitianos são tratados no cotidiano, em lugares onde não há câmeras ligadas", declarou.

O porta-voz da Minustah no Haiti, Vicenzo Pugliese, afirmou que a denúncia feita por Herz já é investigada pela entidade e que o repórter "foi convidado a depor e a entregar uma cópia da fita de vídeo com a gravação do incidente". Pugliese disse, ainda, que até as apurações sobre o caso serem concluídas, não haverá outra "declaração pública".

Porém, o cinegrafista não acredita que as investigações da ONU possam ter algum resultado concreto: "Eles sempre dizem isso, mas nunca acontece nada".

A missão das Nações Unidas no Haiti está presente no país desde 2004, com o objetivo de restaurar a ordem após a deposição do presidente Jean-Bertrand Aristide. Entre os princípios do grupo, estão a estabilização do local, a promoção de eleições livres, pacificar e desarmar rebeldes e guerrilheiros e ajudar no desenvolvimento econômico e institucional haitiano.
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