Chinaglia anuncia que Câmara dos Deputados vai debater nova Lei de Imprensa
Chinaglia anuncia que Câmara dos Deputados vai debater nova Lei de Imprensa
Durante discurso da abertura da 3ª Conferência Legislativa sobre a Liberdade de Imprensa, que começou às 9h30 desta terça-feira (29), o presidente da Câmara dos Deputados, Arlindo Chinaglia, anunciou o início do debate sobre uma nova Lei de Imprensa.
"Vamos fazer esse debate de maneira pública e, evidentemente, o Plenário será soberano, aquilo que qualquer Plenário de qualquer parte do mundo vier a decidir é a expressão da vontade popular", destacou Chinaglia, sem informar quando começam as discussões.
Ele declarou que a análise da nova Lei de Imprensa será feita com base no direito à informação, que deve ser "o fio condutor que nutre [tanto] a própria imprensa quanto o Parlamento". De acordo com o presidente da Câmara, o debate ocorrerá "à luz dos direitos humanos, à luz da ampliação daquilo que é absolutamente inegociável, que é o direito à informação, o direito à liberdade de expressão".
Na abertura do evento - realizado no auditório da TV Câmara, no Congresso Nacional - o 1º vice-presidente da Sociedade Interamericana de Imprensa (SIP), Enrique Santos, disse que a entidade concorda com a decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) de suspender parte da Lei de Imprensa (5.250/67), que, de acordo com ele, tende a restringir o trabalho da imprensa. Ele também defendeu o fim das punições para crimes de informação, a eliminação das leis de desacato e a promoção de leis de acesso a informações públicas.
Um dos oradores da conferência - que tem como objetivo discutir temas como revogação da Lei de Imprensa, discussão da lei de acesso à informação e censura prévia aos meios de comunicação por decisões judiciais - o presidente do Senado, Garibaldi Alves (PMDB-RN), afirmou que o jornalista que busca notícias no Parlamento e que interage com os parlamentares exprime alguma coisa que o Congresso deixou de exprimir justamente para dar lugar à imprensa.
O peemedebista fez críticas ao legislativo e defendeu que o parlamento se aproxime da imprensa e da opinião pública. "A imprensa é hoje uma caixa de ressonância muito mais vanguardeira que o Congresso. O Poder Legislativo, que tem a prerrogativa de fazer as leis, não tem a capilaridade e a agilidade dos meios de comunicação. Ele abdicou da prerrogativa de legislar", explicou Garibaldi.
Já Arlindo Chinaglia defendeu a votação de uma nova Lei da Imprensa. Para o petista, a lei atual é "anacrônica" e precisa ser revista. Em seu discurso na conferência, o presidente da Câmara afirmou que o foco de uma nova lei deve ser "o direito de o cidadão ser bem informado". Ele lembrou que a atual lei foi revogada em parte pelo Supremo Tribunal Federal (STF). "A Lei de Imprensa atual há muito tornou-se anacrônica. Votar a nova lei é um compromisso".
A voz dos empresários
O empresário Luís Frias, do jornal Folha de S.Paulo , sugeriu a elaboração de uma nova legislação sobre a imprensa que inclua o banimento da censura prévia, a aceleração do trâmite do direito de resposta, a limitação das indenizações judiciais e a eliminação de penas de prisão para jornalistas, transformando-as em penas administrativas e em multas. Frias afirmou que decisões judiciais vêm impedindo a livre expressão.
De acordo com o empresário, é preciso uma solução para os conflitos entre o direito de o cidadão receber informação e os direitos relacionados à personalidade (crimes contra a honra). Ele lembrou que o Supremo Tribunal Federal (STF) suspendeu parte da Lei de Imprensa (5.250/67), mas considerou que o vazio jurídico não é a melhor opção. "Há quem propunha a extinção total da lei, fazendo com que a imprensa se regule pelos códigos Civil e Penal, mas não parece ser essa a posição majoritária", disse Frias. O empresário afirmou que o setor também deve avançar na auto-regulamentação.
O empresário João Roberto Marinho, do jornal O Globo , endossou o coro: ele afirmou que há decisões judiciais que configuram censura prévia, estabelecem indenizações de valor exorbitante e exigem a publicação de sentenças judiciais nos jornais e na TV que tentam intimidar a imprensa. Marinho disse que a melhor alternativa, nesses casos, é o direito de resposta. E ressaltou que a Constituição garante a liberdade de expressão e proíbe a existência de lei restringindo essa liberdade.
Também no evento, o empresário Roberto Civita, da Editora Abril, disse que a democracia depende da pluralidade dos meios de comunicação. Civita criticou projetos de lei que restringem a liberdade de imprensa e de publicidade. Ele afirmou que a publicidade é um dos pilares da democracia porque mantém os veículos em funcionamento e porque quem elege os veículos é o mercado livre. "Na imprensa, quanto menos legislação, melhor. A imprensa não deve ser regulamentada, mas garantida e exercida com responsabilidade", disse.
A conferência está sendo promovida em conjunto pela Associação Brasileira de Imprensa (ABI), pela Associação Nacional de Jornais (ANJ), pela Associação Nacional de Editores de Revistas (Aner), pela SIP e pela Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco).
Com informações de Agência Câmara, Agência Senado, O Globo, Estadão Online
Foto: José Cruz/ABr
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