China se mantém silenciosa sobre liberdade de imprensa após Olimpíadas
China se mantém silenciosa sobre liberdade de imprensa após Olimpíadas
Nesta sexta-feira (17), acaba oficialmente o prazo das regulamentações especiais na China que permitiram jornalistas estrangeiros fazerem matérias livremente em grande parte do país por quase dois anos. Tecnicamente, o cenário de liberdade de imprensa retornaria ao estado de intensa burocracia e controle. A preocupação, todavia, é que nenhum órgão governamental se manifestou a respeito, o que deixa a dúvida se haverão ou não mudanças definitivas.
Segundo publicado pela agência Reuters, grupos de direitos humanos e o Clube de Correspondentes Estrangeiros da China, apesar de apreciarem a abertura feita durante os Jogos Olímpicos em agosto, expressaram receio diversas vezes sobre assédio a repórteres e a entrevistados, especialmente em relação a tópicos sensíveis, como protestos. "Entendo que trata-se de um desejo forte de todo mundo", afirmou o porta-voz do Ministério de Relações Exteriores da China, Qin Gang, em entrevista coletiva na última quinta-feira (16). "Vamos divulgar em breve qual será a situação".
Antes das novas regras entrarem em vigor, em 1 de janeiro de 2007, os jornalistas não podiam entrevistar oficialmente Boa Tong, um dos principais críticos do governo e o mais velho dos oficiais presos por causa dos protestos na Praça da Paz Celestial. Mas, desde então, tem sido possível atender a diversos pedidos. Os governos locais da China, que tinham que aprovar qualquer visita de correspondentes internacionais às suas regiões, afirmaram que iriam seguir as leis no curto prazo.
Como parte das negociações de Beijing para sediar as Olimpíadas de 2008, o governo prometeu permitir total liberdade de imprensa e, apesar do controle do Estado sobre a mídia local não ter afrouxado, ele ficou mais brando em relação aos estrangeiros. Por outro lado, houve problemas de acesso ao Tibete, e alguns locais controversos foram bloqueados no início das competições, mas as regras facilitaram as reportagens sobre temas que iam dos parques eólicos até os dissidentes.
A capital chinesa, agora, não se manifestou sobre possíveis mudanças nas regras de liberdade de imprensa, enquanto que no interior do país, tudo parece continuar igual. "Não houve mudanças, as regras ainda são as mesmas que usamos para as Olimpíadas", afirmou Mr Zhou, um funcionário da imprensa oficial na província de Hebei, que ficou sob os holofotes por semanas por causa de escândalo envolvendo leite estragado. Oficiais nas provícias de Anhui, Shandong, Hainan, Sichuan e Guangdong também afirmaram que continuam usando as regras do período Olímpico no curto prazo.
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