Chico Buarque vai ter de esperar
Chico Buarque vai ter de esperar
Adoro Chico Buarque. Quem me conhece sabe bem disso. Aliás, eu e um montão de gente, principalmente da ala feminina. Sempre que ele lança um CD ou livro, saio correndo para comprar e devoro rapidamente. O que me preocupa desta vez é que ainda não comprei seu mais recente lançamento, Leite Derramado. Simplesmente pelo fato de que não está sobrando tempo para a literatura, o que é lastimável na vida de qualquer jornalista. Aliás, na vida de qualquer pessoa.
A literatura é fundamental para nós, profissionais da Comunicação. Engana-se quem pensa que um release deve ser frio e sem sabor. Um bom texto, independentemente de onde é veiculado, necessita de tempero. É preciso absorver a atenção do leitor, principalmente do jornalista que recebe 300 sugestões de pauta diariamente. Não basta um bom assunto se ele não estiver embalado de maneira inteligente e criativa.
Na imprensa também vemos poucos textos saborosos atualmente. Ler Eliane Brum nos dá o pleno entendimento de que é possível unir jornalismo e literatura.
Mas há uma pilha de livros na cabeceira competindo com a necessária leitura de, no mínimo, dois jornais diários, duas revistas semanais de informação, uma infinidade de blogs, livros técnicos sobre Comunicação. Por onde começo? Primeiro tenho de ler o blog dos meus amigos, daqueles que não conheço e de quem quero um dia conhecer. Tenho de ler os demais colunistas deste Portal, agora meus vizinhos virtuais. Ah, é preciso também ler um livro em inglês, pois sem isso não avanço no esperanto de nossos dias. Quando vou ler aquele antigo clássico que o Daniel Piza falou na coluna dele? Não sei e me desespero. No próximo sábado, talvez. Depois do almoço de domingo. Chega a segunda-feira, o MSN começa a piscar, o telefone toca e o e-mail descarrega suas mensagens. Assim Chico Buarque entra na roda-viva e espera mais um tempo para ser saboreado.






