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“Chega de inércia!”, diz jornalista sobre mobilização de profissionais em Santarém (PA)

Mobilização de profissionais de comunicação em Santarém (PA) reuniu cerca de 30 pessoas por melhorias de salários e direitos trabalhistas.

A luta por direitos trabalhistas é uma pauta presente nos meios de comunicação. Profissionais e sindicatos de diversos setores vão às ruas apresentar suas reivindicações. No dia 20 de junho, e m Santarém, interior do Pará, cerca de 30 trabalhadores da imprensa caminharam pelas ruas do centro da cidade fazendo um “apitaço” e distribuíram panfletos na “Comunic#ação pela Valorização”.
Crédito:Reprodução/Facebook Jornalistas buscam melhorias nas condições de trabalho em Santarém (PA)
Para Ronilma Santos, uma das participantes do protesto, a mobilização foi um “grito desesperado por mudanças”. “Foram 30 jornalistas que já decidiram romper com a barreira do medo e ir à luta em busca de mudanças. E isso é só o começo!”, conta.
A manifestação foi desencadeada por um comportamento inusitado dos veículos de comunicação da região. Por ser o segundo município a receber um curso de jornalismo, as empresas estariam aproveitando da novidade para impor regras e condições de trabalho.
Entre os problemas citados há o desvio de funções, a insegurança e o assédio moral, além dos chamados “contratos de gaveta”. “Todas essas questões ocorrem e ninguém vem a público denunciar com medo de represálias. Após o meu relato, tenho sofrido inúmeras tentativas de desmoralizações públicas, tentando me calar, ou me envergonhar, mas quem trabalha nas redações sabe do que estou falando”, disse Ronilma.
Acompanhando o caso de perto, Sheila Faro, presidente do Sindicato dos Jornalistas do Pará afirma que a entidade dará suporte aos manifestantes. De acordo com a dirigente, os jornalistas formados de Santarém são obrigados a se cadastrar no sindicato dos radialistas, que possui um piso salarial menor.
“Temos entrado com ações para fazer com que as empresas reconheçam legalmente que quem tem o registro de jornalista deve ser reconhecido como tal e que deve se sindicalizar se quiser, não pode ser obrigado a isso”, declara Sheila. Com a ajuda dos jornalistas presentes no ato, a associação pretende criar um escritório regional para cadastrar os profissionais formados em jornalismo.
Dispostos a discutir as melhorias, os manifestantes dizem que não foram procurados pelas empresas de comunicação em nenhum momento. No entanto, o apoio à causa por órgãos importantes tem sido frequente após a mobilização. A Organização dos Advogados do Brasil (OAB) e Universidades já ofereceram suporte ao movimento. “E até agora tudo o que tivemos das empresas são as retaliações que continuam dentro das redações, muitos profissionais sendo ameaçados de forma implícita”, diz Ronilma.
Apoio nacional
A jornalista Ronilma Santos ressaltou a importância do movimento e pediu apoio de profissionais de outros estados. “Peço ajuda e apoio dos jornalistas de todo o Brasil para que conheçam a nossa realidade, a nossa causa e entendam que é uma luta válida e necessária. E, se puderem, de alguma foram, se unam em uma campanha a nosso favor, para que o grito dos jornalistas de Santarém possa ser ouvido no mundo todo”.
Além da busca por direitos e condições ideais de trabalho, os jornalistas pretendem se organizar para debater as dificuldades enfrentadas em cada veículo. Apesar do medo de demissões, os profissionais de imprensa acreditam que a remuneração na região deve ser atualizada ao piso de cada função.
“O baixo salário pago a profissionais foi o principal mote de nossa manifestação. Dá para acreditar que o atual piso salarial dos jornalistas não chega a um salário mínimo e meio? Isso é aviltante”, reclama Ronilma, que ressalta que a política salarial das empresas não motiva os funcionários. “Alguns veículos investem pesado em tecnologia com equipamentos sofisticados, mas não se preocupam com quem vai manejar estes equipamentos”, diz.
Segundo ela, não há divergências com o Sindicato dos Radialistas de Santarém, apenas a busca por seus direitos. “O que existe é um desejo de se desvincular do sindicato de radialistas, pelo qual muitos ainda estão vinculados e pelo qual se dá a base de parte do salário pago a parte da imprensa. Não somos radialistas, mas jornalistas graduados, muitos com pós-graduações e até mestrado, que estudaram, se capacitaram para essa função e é normal que queiramos fazer parte do nosso sindicato”.
Procurado, o Sindicato dos Radialistas de Santarém não se pronunciou.
* Com supervisão de Vanessa Gonçalves

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