Para a Comissão de Mulheres da Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj), são várias as evidências de que o colunista feriu o Código de Ética do Jornalista Brasileiro ao reportar o caso. Por isso, a entidade informou em carta em solidariedade à atriz que vai encaminhar denúncia contra Leo Dias ao Conselho de Ética do Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Distrito Federal (SJPDF).
A Fenaj também defendeu a criação do Conselho Federal de Jornalistas (CFJ), com o objetivo de "garantir uma profissão digna, com um contrato público e ético com a sociedade”.
Após a repercussão negativa do caso, Leo Dias publicou um texto no Metrópoles se desculpando com a atriz. “Errei ao publicar qualquer linha a este respeito. Mesmo que a revelação da história não tenha partido de mim, mesmo que Klara tenha escrito uma carta pública narrando a dor que sentiu com toda esta violência e que eu só tenha escrito sobre o assunto após a carta dela ser publicada."
Crédito:Reprodução F5/UOL
Antônia Fontenelle e Leo Dias: exploração de drama pessoal da atriz Klara Castanho O veículo foi na mesma linha, mas disse que não ia demitir o colunista. "O Metrópoles errou ao permitir publicação envolvendo Klara Castanho. A ela, nosso pedido de perdão. Não há justificativa que sustente o interesse público em expor detalhes sobre história em que os únicos interessados são a vítima e parentes."
Lilian Tahan, diretora de redação do portal de notícias, também admitiu o erro. "Expusemos de forma inaceitável os dados de uma mulher vítima de violência brutal. A matéria foi retirada do ar."
O caso ganhou repercussão nacional no dia 25 de junho, quando Klara Castanho divulgou uma carta aberta em seus perfis nas redes sociais, horas depois de uma série de ataques no Twitter a criticando por doar a criança. Os ataques teriam sido motivados por comentários de Antônia Fontenelle baseados em um vídeo de Leo Dias a respeito do caso.
Depois da divulgação da carta da atriz, o colunista publicou o nome dela e dados do nascimento da criança que têm sigilo resguardado pelo Estatuto da Criança e do Adolescente. O conteúdo foi tirado do ar cerca de duas horas depois. O Conselho Federal de Enfermagem abriu apuração para identificar os responsáveis pelo vazamento das informações no hospital onde o bebê nasceu.
Veja a seguir a nota da Fenaj:
“Nota oficial: solidariedade a Klara Castanho
A Federação Nacional dos Jornalistas (FENAJ), por meio da sua Comissão Nacional de Mulheres, vem a público solidarizar-se com a atriz Klara Castanho, que teve uma situação pessoal exposta pela mídia, resultando em ataques pessoais aos quais teve de se defender com uma carta aberta em seu perfil no Instagram.
A atriz engravidou após um estupro e encaminhou a criança para adoção, cumprindo os trâmites legais. A situação, de caráter absolutamente particular e sigilosa, foi exposta pelo colunista do site Metrópoles, Leo Dias, no fim de semana.
Após a repercussão negativa, o link foi retirado do site. Mas a divulgação já havia desencadeado uma onda de ódio nas redes sociais, com novos ataques à honra da atriz, causando sua revitimização num já doloroso momento pessoal.
São fortes as evidências de que o colunista feriu o Código de Ética do Jornalista Brasileiro. Pela gravidade do caso, a Diretoria Executiva e a Comissão de Mulheres da Fenaj vão encaminhar denúncia contra o jornalista à Comissão de Ética do Sindicato dos Jornalistas do Distrito Federal, que deverá apurar o caso, dando amplo direito de defesa ao profissional.
O caso serve para reafirmar a luta encabeçada pela FENAJ e Sindicatos de Jornalistas filiados pela criação do Conselho Federal de Jornalistas (CFJ), uma forma de garantir uma profissão digna, com um contrato público e ético com a sociedade. Temos lutado pelo Conselho Federal dos Jornalistas para que as próprias entidades sindicais possam controlar a emissão de registros profissionais e promover a cultura do respeito ao Código de Ética, por meio da fiscalização.
Brasília, 27 de junho de 2022.
Federação Nacional dos Jornalistas – FENAJ
Comissão de Mulheres Jornalistas da FENAJ”

