"Casa dos Jornalistas", na Espanha, receberá jornalistas perseguidos que buscam refúgio

"Casa dos Jornalistas", na Espanha, receberá jornalistas perseguidos que buscam refúgio

Atualizado em 04/04/2008 às 12:04, por Redação Portal IMPRENSA.

Os jornalistas perseguidos por motivos profissionais vão poder se refugiar, a partir de 2010, na "Casa dos Jornalistas" em Cádiz (Espanha), a segunda instituição do gênero que existirá no mundo. O abrigo vai funcionar em um espaço de 40 mil metros quadrados cedido pela Prefeitura de Cádiz, com capacidade para 12 pessoas.

Com o objetivo de proporcionar acolhimento temporário aos jornalistas que têm que deixar seus países de origem por correrem risco de vida, a "Casa dos Jornalistas" funcionará como entidade que realiza os trâmites para que os perseguidos se beneficiem da condição de refugiados.

A innstituição é uma iniciativa da Associação de Imprensa de Cádiz e segue o modelo da "Maison des Journalistes" de Paris, atualmente a única no mundo que serve de asilo a jornalistas perseguidos, acolhendo 32 pessoas por ano.

Ao projeto francês chegam, de seis em seis meses, 16 jornalistas perseguidos e afastados da família e, muitas vezes, sem a documentação necessária para poderem trabalhar.

Após seis meses de estadia, os repórteres conseguem, salvo raras exceções, o estatuto de refugiados. Só depois disso podem procurar trabalho e solicitar a vinda de suas famílias. No entanto, são poucos os que voltam a se dedicar à profissão.

Na Espanha, os responsáveis pela "Casa dos Jornalistas" ainda não sabem qual será o prazo máximo de acolhimento. Enquanto na França o tempo médio para conseguir o estatuto de refugiado é de seis meses, na Espanha são dois anos.

A lei diz que, durante o tempo de estadia, "os requerentes não podem trabalhar, por isso a idéia é que colaborem com as associações de vizinhos e associações culturais e possam realizar alguns cursos para que conheçam a política, a cultura e a tradição espanholas", explicou à Agência Lusa o presidente da Associação de Jornalistas de Cádiz, Fernando Santiago Muñoz.

Ele acrescentou que "o objetivo é que os jornalistas refugiados possam 'à posteriori' exercer jornalismo na Espanha, por isso, o centro pensa em estabelecer convênios com vários órgãos de comunicação social para que os contratem e [os refugiados] possam refazer sua vida".

Para Muñoz, o projeto espanhol em curso é "o único legado que nós, jornalistas, podemos deixar à liberdade de expressão e à liberdade de imprensa. Os jornalistas são as primeiras vítimas de uma guerra", disse ele, já que a primeira coisa que sofre "é a liberdade de expressão", até porque os jornalistas são "um incômodo para todo o poder", sublinhou.

Apesar de faltarem mais de dois anos para que o projeto de torne uma realidade, "a lista de espera já é imensa", adianta Muñoz, acrescentando que já foram recebidas "mais de 15 candidaturas, sobretudo de ibero-americanos (da Colômbia, Peru, Paraguai e Cuba)". As solicitações são mandadas à organização Repórteres Sem Fronteiras, que as envia para o abrigo de Paris.

Com informações da Agência Lusa

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