"Casa dos Jornalistas", na Espanha, receberá jornalistas perseguidos que buscam refúgio
"Casa dos Jornalistas", na Espanha, receberá jornalistas perseguidos que buscam refúgio
Os jornalistas perseguidos por motivos profissionais vão poder se refugiar, a partir de 2010, na "Casa dos Jornalistas" em Cádiz (Espanha), a segunda instituição do gênero que existirá no mundo. O abrigo vai funcionar em um espaço de 40 mil metros quadrados cedido pela Prefeitura de Cádiz, com capacidade para 12 pessoas.
Com o objetivo de proporcionar acolhimento temporário aos jornalistas que têm que deixar seus países de origem por correrem risco de vida, a "Casa dos Jornalistas" funcionará como entidade que realiza os trâmites para que os perseguidos se beneficiem da condição de refugiados.
A innstituição é uma iniciativa da Associação de Imprensa de Cádiz e segue o modelo da "Maison des Journalistes" de Paris, atualmente a única no mundo que serve de asilo a jornalistas perseguidos, acolhendo 32 pessoas por ano.
Ao projeto francês chegam, de seis em seis meses, 16 jornalistas perseguidos e afastados da família e, muitas vezes, sem a documentação necessária para poderem trabalhar.
Após seis meses de estadia, os repórteres conseguem, salvo raras exceções, o estatuto de refugiados. Só depois disso podem procurar trabalho e solicitar a vinda de suas famílias. No entanto, são poucos os que voltam a se dedicar à profissão.
Na Espanha, os responsáveis pela "Casa dos Jornalistas" ainda não sabem qual será o prazo máximo de acolhimento. Enquanto na França o tempo médio para conseguir o estatuto de refugiado é de seis meses, na Espanha são dois anos.
A lei diz que, durante o tempo de estadia, "os requerentes não podem trabalhar, por isso a idéia é que colaborem com as associações de vizinhos e associações culturais e possam realizar alguns cursos para que conheçam a política, a cultura e a tradição espanholas", explicou à Agência Lusa o presidente da Associação de Jornalistas de Cádiz, Fernando Santiago Muñoz.
Ele acrescentou que "o objetivo é que os jornalistas refugiados possam 'à posteriori' exercer jornalismo na Espanha, por isso, o centro pensa em estabelecer convênios com vários órgãos de comunicação social para que os contratem e [os refugiados] possam refazer sua vida".
Para Muñoz, o projeto espanhol em curso é "o único legado que nós, jornalistas, podemos deixar à liberdade de expressão e à liberdade de imprensa. Os jornalistas são as primeiras vítimas de uma guerra", disse ele, já que a primeira coisa que sofre "é a liberdade de expressão", até porque os jornalistas são "um incômodo para todo o poder", sublinhou.
Apesar de faltarem mais de dois anos para que o projeto de torne uma realidade, "a lista de espera já é imensa", adianta Muñoz, acrescentando que já foram recebidas "mais de 15 candidaturas, sobretudo de ibero-americanos (da Colômbia, Peru, Paraguai e Cuba)". As solicitações são mandadas à organização Repórteres Sem Fronteiras, que as envia para o abrigo de Paris.
Com informações da Agência Lusa
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