Carol Pires, finalista do “Mulher IMPRENSA”, lembra de trabalhos importantes da carreira

Carol Pires enfrentará uma concorrência familiar em sua primeira indicação para o “Troféu Mulher IMPRENSA”, idealizado e realizado por IMPRE

Atualizado em 14/01/2014 às 15:01, por Camilla Demario.

NSA, na categoria Repórter de Revista. Isso porque entre as cinco finalistas, duas também são repórteres da revista Piauí , onde começou como colaboradora em 2009 e faz parte da equipe desde 2012.

Crédito:Divulgação Carol Pires, repórter da revista Piauí, é uma das finalistas do Troféu Mulher IMPRENSA na categoria Repórter de revista Formada em jornalismo pelo IESB, a jornalista é mestre em estudos latino-americanos pela Universidade de Columbia, em Nova York. Carol começou sua carreira como repórter do Blog do Noblat, e desde então, foi colunista do Portal Terra em Buenos Aires durante a campanha de Cristina Kirchner à presidência, em 2010, além de ter trabalhos publicados pelas revistas Rolling Stone, Marie Claire, Soho (Colômbia), Paula (Chile) e N+1 (EUA).

Carol conversou com IMPRENSA sobre o jornalismo feito atualmente no Brasil e a importância de um prêmio dedicado às mulheres.

IMPRENSA - A sua indicação é um reflexo do seu trabalho em 2013. O que mais gostou de fazer? Carol Pires - Primeiro, fiquei muito feliz com a indicação. Acho que ela é reflexo de um processo maior. A Piauí , onde eu comecei como colaboradora em 2009 e entrei para a equipe em 2012, dá tempo, espaço e visibilidade, e isso é ótimo. O que eu mais gostei de fazer desde que estou na revista foi o perfil do presidente do Uruguai, o Pepe Mujica, que publiquei no final de 2012. Meu perfil foi traduzido na Guatemala e na França e, logo depois, também saiu um breve perfil sobre ele no New York Times . De lá pra cá, o Mujica ficou cada vez mais popular. Foi o personagem que alavancou o perfil e não o contrário. Gostei de fazer esse trabalho porque simpatizo com o personagem e porque escre ver esse perfil foi um aprendizado. Tinham me contado que o Mujica uma vez discursou para um time de futebol de várzea segurando um tampo de privada que ele mesmo tinha comprado na mercearia ao lado.

Tirando toda a discussão política de fundo, achei que encontraria um personagem divertido e que escreveria um texto engraçado. Mas eu cheguei lá no inverno, caía uma chuva onettiana, Montevidéu estava cinza, e só naquela semana Mujica foi no enterro da irmã e de dois grandes amigos. Minha primeira reação foi ficar preocupada pela reportagem, por estar ali em uma semana difícil para o perfilado, mas depois me toquei do óbvio: o perfil é sempre um recorte e a semana que eu tinha para contar era a que ninguém mais contaria. O que eu vi foi um presidente muito carismático, mas envelhecido e melancólico como o próprio país. E esse foi o tom do perfil.

Você morou fora, trabalhou e estudou em outros países. O Brasil continua precisando de uma premiação que reconheça o trabalho da mulher no jornalismo? No Brasil e nos demais países latino-americanos, eu sinto que ainda é a política que – ainda que envergonhadamente – tenta levantar a discussão da igualdade de gênero. A Dilma e a Michelle Bachelet, chegando à presidência, nomearam ministérios com mais mulheres e isso tem um efeito vertical, de cima pra baixo. Nos Estados Unidos essa discussão tem mais força pelo lado econômico: pesquisas comprovam ter nas equipes com a mesma quantidade de homens e mulheres aumenta o desempenho das empresas e gera mais lucro. Isso é um grande apelo para eles e tem dado certo.

Acho as duas abordagens, mais que válidas, são necessárias. No jornalismo, hoje a gente já vê uma maioria de mulheres nos comitês de imprensa e nas coberturas em geral, mas não em cargos de chefia. Acho que isso está mudando, mas é um processo que deveria ser mais ágil. A iniciativa do Troféu Mulher Imprensa é muito legal e seria interessante se houvessem mais ações assim para que, em breve, tivéssemos no Brasil casos como a Tina Brown, que foi editora da New Yorker , e da Jill Abramson, atual chefe do New York Times.
O que jornalismo brasileiro tem de positivo e negativo em comparação com outros países onde morou? Em diferentes níveis, a imprensa passa por problemas de censura na Argentina, Equador, Bolívia, Venezuela e alguns países da América Central. Em alguns desses países, o governo tenta controlar a fabricação de papel jornal e enforca os jornais opositores com isso. O México já é o país mais perigoso para trabalhar como jornalismo no mundo, ganha de países oficialmente em guerra. É óbvio que, ao lado desses casos, estamos muito à frente na questão da liberdade de expressão.

Também temos uma maior pluralidade de veículos. Por incrível que pareça, a imprensa brasileira também é uma das mais saudáveis economicamente na América Latina. Vejo entre meus amigos que os salários e freelas no Brasil estão muito melhores do que nos países deles. Por outro lado, acho que estamos demorando a encontrar saídas para um novo jornalismo, que não mais o impresso, ou pelo menos não mais o impresso que conhecemos. Na Argentina tenho amigos que estão cheios de projetos – seja de editoras onlines, revistas programadas para sair por tempo limitado. A vontade de fazer algo novo é maior do que a de fazer algo permanente. Em El Salvador, o El Faro está ganhando todos os prêmios internacionais por um projeto online de jornalismo investigativo contado em narrativa. Nos Estados Unidos, muitos jornalistas têm uma cultura de trabalhar dois anos, juntar dinheiro, e sair para escrever livros e montar startups. Acho que essa ousadia legal, bem que podia pegar por aqui.
Qual sua expectativa para este ano?

Esse será um ano rico para o jornalismo. Teremos os 50 anos do golpe militar, as eleições e uma Copa sediada por nós - tudo isso imediatamente ao ano dos protestos. Os jornalistas terão muita história para contar e para levantar reflexões sobre o país.


O "Troféu Mulher IMPRENSA" é realizado e idealizado por IMPRENSA Editorial. Em 2014, a premiação celebra sua 10ª edição consecutiva, e vai homenagear as jornalistas que mais se destacaram em suas áreas de atuação em 2013. As votações vão de 14 de janeiro de 2014 até às 23h59 de 13 de fevereiro. Para mais informações e conhecer a lista de finalistas, clique