Caricaturista Sérgio Brito faz um trabalho detalhista para se aproximar de "sua" perfeição

Caricaturista Sérgio Brito faz um trabalho detalhista para se aproximar de "sua" perfeição

Atualizado em 26/09/2008 às 18:09, por Ana Luiza Moulatlet/Redação Portal IMPRENSA.

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O traço de Sérgio Brito pode ser resumido com uma história de sua infância. Certa vez tentou desenhar as informações contidas na letra de uma música da época, que tinha uma frase mais ou menos assim: "Maria Helena cheia de pena, chorou, chorou...". Ele pegou o lápis e fez uma moça toda envolvida em penas chorando. Tentar fazer os desenhos quase tão perfeitos quanto a realidade pode ser considerada a definição de seu trabalho.

Sérgio Brito
Almodóvar

Sua trajetória profissional começou em 1987. Sem nunca ter participado de nenhum concurso de cartuns e caricaturas - em uma época em que não havia internet e as pessoas ficavam sabendo dos concursos através dos jornais - e sem experiências anteriores no assunto, Brito ganhou o primeiro lugar em uma premiação da Folha de S.Paulo . "Foi aí que comecei a achar que seria possível trabalhar com caricaturas", conta.

Para ele, participar de eventos assim tem um lado bom e um ruim. "Bom quando você vence e percebe que faz parte de um grupo de novos talentos, e que ganhou por fazer um trabalho diferenciado. E ruim não por perder, mas por perceber que quem ganhou não tem qualidade nenhuma".

Sérgio Brito
Dona Canô

Um episódio que marcou muito sua carreira foi quando foi desclassificado de um concurso por inscrever um trabalho feito com uma técnica chamada pontilhismo colorido, "que exige muita atenção e dedicação, e até hoje não soube de ninguém que tenha se aventurado a fazê-lo. Os curadores do concurso juravam que não havia sido feito a mão livre e que se tratava de uma fraude".

Sérgio Brito
Fernanda Montenegro

O domínio desta técnica é mais um exemplo de que o artista nunca está satisfeito com o resultado de seus trabalhos. Detalhista e sempre à procura da "sua" perfeição, acredita que está "longe do que penso, e isso de certa forma é bom, porque assim percorro todas as técnicas à procura da qualidade desejada".

Sérgio Brito
Paulo Autran

De acordo com o caricaturista, a internet pode ser considerada um veículo imprescindível para ilustrações, cartuns e charges, pois permite que os profissionais divulguem amplamente seu trabalho. Brito afirma que, infelizmente, o mecado não é suficiente para reconhecer todos os talentos. "Se fosse o caso, eu estaria empregado. Cheguei a ficar dezessete anos fora dessa área por não acreditar neste reconhecimento, só voltei a desenhar em 2004, graças à internet. O único espaço pra maioria dos desenhistas é internet. Fora isso, é complicado".