Capa - Entrevista com Derrick De Kerckhove
Capa - Entrevista com Derrick De Kerckhove
Doutor em língua e literatura francesas pela Universidade de Toronto, Canadá, o belga Derrick de Kerckhove é considerado o herdeiro intelectual de um dos mestres das teorias da comunicação, o canadense Marshall McLuhan. Uma de suas mais significativas pesquisas fala sobre a forma como a mídia pode revolucionar a maneira de se pensar e de se adquirir conhecimento, tema abordado a seguir entre questões que tangem as velozes mudanças por quais passa a comunicação social.
MORTE DO JORNALISMO
"O jornalismo perde terreno rapidamente para a mídia pessoal, como todas as extensões da mídia tradicional na internet, como o YouTube e a ITV, ao invés dos telejornais. Os números contam a história. Nós gastamos cerca de seis horas em frente a uma tela. A TV representa apenas duas horas desse total, contra 4,5 de uma década atrás. A internet equivale a três horas por dia; a última hora corresponde à tela dos telefones celulares.
O jornalismo não está morto ainda, mas está em processo de mudança. Há uma coisa chamada 'jornalismo cidadão', uma espécie de sistema de alerta para as comunidades em situação emergencial. Blogs também estão atuando como um tipo de jornalismo postiço e espontâneo. De qualquer maneira, ainda há a necessidade de ter uma mídia principal, porque as pessoas continuarão precisando de uma diretriz, de formadores de opinião além dos blogs e editoriais, além dos twitters."
ACESSO PERMANENTE
"As pessoas querem personalizar suas fontes de informação, com dados disponíveis on-line, para compor suas 'notícias sob demanda', em qualquer lugar, a qualquer hora e em qualquer plataforma. Eu também penso que qualquer coisa on-line está tecnicamente acessível de modo permanente, assim como um pensamento está tecnicamente acessível o tempo todo em seu cérebro, mas aparece apenas quando requisitado. Isso pode ser uma definição de 'noticiário'."
IMPRENSA E PODER
"Eu acredito veementemente na necessidade do jornalismo de ficar longe da interferência dos governos ou negócios. [O jornalismo] precisa prestar atenção no que é dito nos blogs e no Twitter. A internet atua como um tipo de mídia 'underground', paralela. A idéia aqui é sustentar um genuíno jornalismo democrático, encorajando um constante diálogo entre os cidadãos e o noticiário oficial.
O jornalismo ainda tem o poder, mas o perderá para o Twitter se ele se submeter às pressões do governo, como é o caso de muitos países nos dias de hoje. Uma imprensa objetiva é uma condição sine qua non para a democracia."






