Cale a boca, jornalista: Incêndio criminoso destrói instalações da Central Marília de Notícias

Cale a boca, jornalista: Incêndio criminoso destrói instalações da Central Marília de Notícias

Atualizado em 09/09/2005 às 16:09, por Redação Portal Imprensa.


Na noite de ontem, a cidade de Marília, no interior de Sâo Paulo, foi palco de um grave atentado contra a liberdade de imprensa. O difício da Central Marília de Notícias (CMN), local onde estão instalados o jornal "Diário de Marília", e as rádios Diário FM e Dirceu AM, foi alvo de um incêndio criminoso. Segundo informações divulgadas pelo jornal, três homens encapuzados renderam o vigia do prédio, Sérgio Silva de Araújo, e atearam fogo nas dependências das rádios e no setor administrativo da CMN. O incêndio criminoso derstruiu 80% do prédio, atingindo parte da redação do jornal.

A polícia civil, que já está investigando o caso, levanta suspeitas de retaliação relacionada a reportagens divulgadas nas rádios e no jornal, o mais importante da cidade. Segundo publicou o Diário de Marília em sua versão online, os bandidos foram descritos como sendo um moreno, de 1,65m aproximadamente, e outro branco, com mais ou menos 1,75m. Quatro galões de gasolina foram encontrados nos escombros do incêndio, que teve início as 3h da madrugada e foi controlado pelos bombeiros por volta das 4h. A CMN divulgou que seus funcionários ainda estão contabilizando o prejuízo. "Foram destruídos o estúdio da Diário FM, equipamentos da Dirceu AM e diversos equipamentos e documentos do jornal", conta o jornal.

ANJ
Em resposta ao incêndio criminoso, a Associação Nacional dos Jornais, através do seu presidente, Nelson Sirotsky, divulgou uma carta no qual repudia o ataque sofrido pela empresa. Confira a seguir a carta:

"A Associação Nacional de Jornais - ANJ considera da maior gravidade o incêndio sofrido nesta madrugada pelo jornal Diário de Marília e as rádios Diário FM e Dirceu AM, da cidade de Marília, no Estado de São Paulo. Pelas características do episódio, trata-se de atentado, com o objetivo de intimidar o jornal e as emissoras de rádio.

Revolta e preocupa que empresas de comunicação sejam atingidas pela violência e intolerância. Esse tipo de atentado se reveste de conotações terroristas que nos remetem aos piores momentos da nossa História, que todos acreditávamos superados.

A liberdade de informar e ser informado é um bem maior da sociedade brasileira e não será cerceada por iniciativas criminosas e obscurantistas. Que prevaleça a lei e sejam logo identificados os culpados, para posterior e exemplar punição.


Brasília, 8 de setembro de 2005

Nelson P. Sirotsky

Presidente da ANJ
"