Brasileiros criam "Indie Journalism" para unir leitores e jornalistas com grandes reportagens

Anunciada na última quarta-feira (26/02), a Indie Journalism surge com o objetivo ser uma plataforma para o leitor que busca informação de qualidade e uma ferramenta para o jornalista que busca fazer grandes reportagens de forma independente e remunerada.

Atualizado em 27/02/2014 às 10:02, por Jéssica Oliveira.

a surge com o objetivo ser uma plataforma para o leitor que busca informação de qualidade e uma ferramenta para o jornalista que busca fazer grandes reportagens de forma independente e remunerada.

"A internet é usada de forma muito forte para fazer o jornalismo em tempo real, sem passar, muitas vezes, pelo senso crítico que ele exige. Claro que há exceções, mas ainda não existe a lógica de que a internet também aceita a qualidade, não só quantidade. Queremos transformar essa exceção em regra", explica o jornalista Felipe Seligman, um dos cinco criadores da Indie.

Concebida por quatro brasileiros e um francês, a empresa quer ser referência mundial para a produção jornalística "independente, digital e multimídia, livre de intermediários", mostrando que o jornalismo profundo tem espaço em meio a tantas informações superficiais e que ele pode ser sustentável economicamente. Os detalhes serão divulgados nas próximas semanas.

"Nos esforçamos mental, emocional, física e financeiramente para começar a colocar de pé esse projeto de valorização do jornalismo e do jornalista. Não viemos, evidentemente, salvar o jornalismo, mas queremos oferecer uma plataforma livre e profissional para a produção de grandes reportagens para o público, que permita a integração efetiva entre profissionais de mídia de todo o mundo", escreveu Breno Costa, ao anunciar o projeto em seu perfil no Facebook.

Além de Seligman e Costa, ajudaram na criação do projeto os também jornalistas Andrei Netto e Fernando Mello, além de Marc Sangarne, especializado na área de business . "Se o jornalismo está em crise, e se precisamos experimentar mais e explorar as novas fronteiras, cabe a nós, jornalistas, desbravar o caminho", disse Netto em seu perfil no Facebook. Para ele, essa visão é compartilhada por profissionais de mídia independentes ou ligados a grandes veículos. Crédito:Reprodução Landing page da Indie Journalism traz as primeiras informações sobre a plataforma As primeiras mãos
Seligman, ex-repórter da Folha de S.Paulo , cuidará da construção de parcerias e da apresentação de imagem da Indie; Costa, também ex- Folha , é o responsável pelo marketing, por convencer o leitor a comprar as reportagens e os jornalistas a entrarem na rede; Netto, correspondente de O Estado de S. Paulo em Paris, cuidará da edição e finalização do conteúdo; Mello, também ex- Folha, acompanhará a produção dos materiais, e Marc comanda a parte de negócios.

Os cinco convidaram ainda o fotógrafo André Liohn, que será o editor de fotografia, e Tomas Silva, diretor de arte e um dos responsáveis pelo design, junto com Netto e um time de oito desenvolvedores. "Sabemos que vai ser complexo, mas estamos confiantes. Buscamos reportagens com valor global, sobre temas humanos. Pode ser algo da sua esquina, mas que interesse a quem está Rio Grande do Sul, nos Estados Unidos e na Ásia", diz Seligman.

Conclave de um sonho em comum
A Indie começou a ser desenhada há cerca de um ano. À época, Seligman e Netto estavam na Itália, pela Folha e Estadão , respectivamente, para cobrir o conclave que elegeria o sucessor de Bento XVI, após sua renúncia. "De colegas de cobertura, viramos amigos", conta Seligman.

Nas discussões sobre os rumos da profissão eles encontraram pensamentos em comum e continuaram a conversar pelo Facebook. Já no Brasil, Seligman percebeu que quando lia sobre projetos na área, Breno Costa, seu colega na Folha , falava sobre a mesma coisa. E Mello, que trabalhou com ele em 2012 numa cobertura sobre transparência no Judiciário brasileiro tinha os mesmos sonhos para a profissão e desde aquela época os dois falavam a respeito.

"Decidimos nos juntar em abril de 2013. Como jornalistas, não temos muita noção de business, então o Andrei sugeriu um colega dele que mora na França, o Marc, que trabalha com empresas de telecomunicações. Ele precisava de um projeto para desenvolver dentro de escola de negócios em que estudava. Ele levou o nosso e desenvolveu", conta Seligman.

Eles ainda não se encontraram sob o mesmo teto, pois moram em três países: Brasil, França e Estados Unidos. Por isso, todo o desenvolvimento da Indie tem sido feito em reuniões semanais pela internet, utilizando ferramentas como hangout e skype. "É um sonho construído inicialmente a dez mãos e que, se tudo der certo, será mantido por milhares delas em todo o mundo", escreveu Costa.

Tentativa
Para o grupo, vão surgir novas experiências para colaborar com as mídias tradicionais em prol do jornalismo independente. "Colocamos na nossa cabeça que não temos uma solução básica. Estamos montando e refletindo esse projeto de fazer jornalismo de qualidade e tornar essa prática sustentável. E isso só foi possível por causa do ambiente digital, que nos permite pensar grande, sonhar grande, sem ter uma grande estrutura por trás", afirma Seligman.

"Vejo uma oportunidade para o jornalismo. Nós fomos criados na grande imprensa e somos defensores dela. Não somos jornalistas que atacam a imprensa que está aí. Só que acreditamos que existe espaço para inovar, arriscar", afirma Mello. Segundo ele, a ideia é a de que cada jornalista pode ser sua marca para grandes reportagens, esteja dentro ou fora da grande imprensa. "Temos espaço para reportagens integradas e digitais, que sejam de interesse global", diz.

Apesar de cada um ter uma área para cuidar dentro da Indie, Costa explica que nesse início o grupo está na base "da raça". "Todo mundo se ajuda. Ao longo do tempo vamos ampliando", afirma. Além do , a Indie pode ser encontrada no , no e no . Nesses canais, haverá indicações de leitura, debate sobre temas do momento e divulgação das novidades do projeto até seu lançamento oficial, previsto para o final de abril.