, o “Oooops! O que grandes jornalistas aprenderam com seus erros”, recebeu Heródoto Barbeiro, apresentador do "Jornal da Record News" e blogueiro no portal R7; Suzana Singer, ex-ombudsman da Folha de S.Paulo ; e Clóvis Rossi, repórter especial e membro do conselho editorial da publicação.
Parte do eixo “fazer jornalístico”, o debate foi moderado por João Paulo Charleaux, coordenador de comunicação da Conectas Direitos Humanos. “Geralmente os congressos têm muitas histórias de acertos. [O erro] É um dos fatores por vezes ignorado no aprendizado. Propus fazer uma antimesa, um diálogo sobre os erros”, explicou Charleaux sobre a ideia da discussão.
“Erros a gente comete jovem e velho, por isso precisamos ter sempre cuidado”, alertou Barbeiro. "Colecionei erros. O erro é inerente ao nosso trabalho. Tudo conspira para a imprecisão", afirmou Suzana. Para ela, tão importante quanto tentar minimizá-los é corrigi-los com rapidez e visibilidade. “Há grande tendência entre os jornalistas e não admitir o erro como se isso diminuísse a credibilidade. Acho o contrário”. Rossi concorda. "Nós [jornalistas] somos arrogantes. Como ninguém reconhece erros com facilidade, dá a impressão que quem reconhece é um imbecil. A credibilidade seria muito mais respeitada pelo reconhecimento dos erros", defende.
Oooops Os convidados contaram erros (detalhes abaixo) cometidos ao longo da carreira e o que aprenderam com eles. Mas outros escorregões da imprensa foram lembrados pela plateia, como a notícia da morte de Ariano Suassuna, publicada na última terça-feira (22/07) por Ancelmo Gois, colunista d’ O Globo , e desmentida pouco depois. A morte só foi confirmada no dia seguinte.
Em dado momento as perguntas se voltaram para a barrigada que Mario Sergio Conti cometeu durante a Copa. Ele . Os participantes questionaram a postura dos jornais.
Para Rossi, a confiança no profissional pesou na decisão de publicar. "Na hora H, um jornalista como o Conti liga para a redação e diz ‘fiz uma entrevista com o Felipão’. É pau na máquina", explicou. "Alguma parcela de culpa o jornal tem. No jornalismo é tudo muito coletivo, as coisas passam por várias mãos. Pode dar problema com qualquer um [grandes nomes ou não]", acrescentou Suzana.
Confira abaixo alguns erros e conselhos de Barbeiro, Rossi e Suzana.
Crédito:Antonio Chahestian / Divulgação Record Barbeiro contou vários erros cometidos na carreira Heródoto Barbeiro Não era consultor, era ator: Barbeiro foi parar no filme "Abraço Corporativo”, uma pegadinha para enganar a mídia, na qual vários profissionais caíram, dentro e fora do Brasil. À época no programa “Mundo Corporativo”, onde fez cerca de 800 entrevistas com personagens desse universo, ele conta que nenhuma fonte passava se não fosse consultor, empresário ou tivesse algo publicado. Mas uma vez passou, de tanto insistir. “Cheguei ao estúdio, ele estava lá. Eu fiz a entrevista. Não foi para o ar, porque fiquei desconfiado. Mas errei quando não pedi o currículo do cara. Não tomei cuidado”.
Desafiado por Maluf : Certa vez, como editor de reportagens na TV Cultura, Barbeiro entrevistou Maluf e afirmou ter imagens dele conversando com Collor. “Eu desafio você a mostrar que estive na casa do Collor”, esbravejou Maluf. “Eu vi, eu editei a matéria”, respondeu o jornalista. Horas depois a equipe da emissora achou a imagem, mas não era a casa certa... “A TV Cultura teve que fazer um editorial e no dia seguinte eu disse que errei”, recordou. Crédito: Jornalistr
Clóvis Rossi Jornalista da onça : Há cerca de 30 anos, durante o governo Sarney, Rossi foi à Brasília. Um repórter da sucursal local da Folha disse que o novo plano incluía congelamento em cascata. Sem fazer ideia do que isso significava, mas por acreditar no colega que estava lá todos os dias, Rossi investiu na apuração. Uma fonte antiga e de confiança disse ter ouvido falar do tal congelamento. E isso praticamente bastou. Pouco antes de escrever a matéria, o colega da sucursal ligou e disse que seis ministros confirmaram a informação. Ele escreveu. O erro foi percebido quando encontrou dois colegas: a jornalista Claudia Safatle, que disse nunca ter ouvido falar do assunto, e um editor de política, que confirmou que o colega costumava mentir. “Aprendi duas coisas: autoridade de um modo geral quer estar sempre bem informada; quando você leva uma informação, ela se recusa a dizer que não sabe. E a segunda é checar se o companheiro é confiável”, disse, aos risos.
Desejos fora da apuração : Pela IstoÉ, Rossi foi a Santiago durante a ditadura Pinochet, em 1978. Como tinha muita vontade de ver o fim do regime ditatorial, trabalhou para isso. "As informações que levavam a essa conclusão eu exponenciava, as informações contrárias eu minimizava. A IstoÉ saiu com a capa 'Pinochet: cai não cai'. Ele caiu, mas 10 anos depois". “Não podemos deixar que desejos confundam a realidade”, aconselhou.
Crédito:Divulgação Para ela, erros devem ser corrigidos com rapidez e destaque Suzana Singer A falta do sobrenome : No início de sua carreira, ela lembrou um atrito da Folha com a Universidade de São Paulo (USP) porque o jornal publicou uma lista com professores “improdutivos”. "Eu estava cobrindo, peguei um documento que me deram assinado pelo professor Coelho e outros professores e fui embora, nem chequei o sobrenome. Mas tinha dois professores Coelho. Isso serviu para chamarem o jornal de incompetente: olha, nem o nome certo do professor a repórter pegou", recorda. “Não deduza, pergunte”, disse sobre o que aprendeu.
Governador disse : Outro deslize foi na cobertura do caso Eloá, em outubro de 2013. Quando a polícia entrou, todos ouviram um tiro e ela saiu carregada. O governador estava conversando com a jornalista Catia Seabra e disse “ela morreu”. Sem pensar duas vezes, Suzana resolveu publicar na internet. "Mas ela não tinha morrido...".
Parte do eixo “fazer jornalístico”, o debate foi moderado por João Paulo Charleaux, coordenador de comunicação da Conectas Direitos Humanos. “Geralmente os congressos têm muitas histórias de acertos. [O erro] É um dos fatores por vezes ignorado no aprendizado. Propus fazer uma antimesa, um diálogo sobre os erros”, explicou Charleaux sobre a ideia da discussão.
“Erros a gente comete jovem e velho, por isso precisamos ter sempre cuidado”, alertou Barbeiro. "Colecionei erros. O erro é inerente ao nosso trabalho. Tudo conspira para a imprecisão", afirmou Suzana. Para ela, tão importante quanto tentar minimizá-los é corrigi-los com rapidez e visibilidade. “Há grande tendência entre os jornalistas e não admitir o erro como se isso diminuísse a credibilidade. Acho o contrário”. Rossi concorda. "Nós [jornalistas] somos arrogantes. Como ninguém reconhece erros com facilidade, dá a impressão que quem reconhece é um imbecil. A credibilidade seria muito mais respeitada pelo reconhecimento dos erros", defende.
Oooops Os convidados contaram erros (detalhes abaixo) cometidos ao longo da carreira e o que aprenderam com eles. Mas outros escorregões da imprensa foram lembrados pela plateia, como a notícia da morte de Ariano Suassuna, publicada na última terça-feira (22/07) por Ancelmo Gois, colunista d’ O Globo , e desmentida pouco depois. A morte só foi confirmada no dia seguinte.
Em dado momento as perguntas se voltaram para a barrigada que Mario Sergio Conti cometeu durante a Copa. Ele . Os participantes questionaram a postura dos jornais.
Para Rossi, a confiança no profissional pesou na decisão de publicar. "Na hora H, um jornalista como o Conti liga para a redação e diz ‘fiz uma entrevista com o Felipão’. É pau na máquina", explicou. "Alguma parcela de culpa o jornal tem. No jornalismo é tudo muito coletivo, as coisas passam por várias mãos. Pode dar problema com qualquer um [grandes nomes ou não]", acrescentou Suzana.
Confira abaixo alguns erros e conselhos de Barbeiro, Rossi e Suzana.
Crédito:Antonio Chahestian / Divulgação Record Barbeiro contou vários erros cometidos na carreira Heródoto Barbeiro Não era consultor, era ator: Barbeiro foi parar no filme "Abraço Corporativo”, uma pegadinha para enganar a mídia, na qual vários profissionais caíram, dentro e fora do Brasil. À época no programa “Mundo Corporativo”, onde fez cerca de 800 entrevistas com personagens desse universo, ele conta que nenhuma fonte passava se não fosse consultor, empresário ou tivesse algo publicado. Mas uma vez passou, de tanto insistir. “Cheguei ao estúdio, ele estava lá. Eu fiz a entrevista. Não foi para o ar, porque fiquei desconfiado. Mas errei quando não pedi o currículo do cara. Não tomei cuidado”.
Desafiado por Maluf : Certa vez, como editor de reportagens na TV Cultura, Barbeiro entrevistou Maluf e afirmou ter imagens dele conversando com Collor. “Eu desafio você a mostrar que estive na casa do Collor”, esbravejou Maluf. “Eu vi, eu editei a matéria”, respondeu o jornalista. Horas depois a equipe da emissora achou a imagem, mas não era a casa certa... “A TV Cultura teve que fazer um editorial e no dia seguinte eu disse que errei”, recordou. Crédito: Jornalistr
Clóvis Rossi Jornalista da onça : Há cerca de 30 anos, durante o governo Sarney, Rossi foi à Brasília. Um repórter da sucursal local da Folha disse que o novo plano incluía congelamento em cascata. Sem fazer ideia do que isso significava, mas por acreditar no colega que estava lá todos os dias, Rossi investiu na apuração. Uma fonte antiga e de confiança disse ter ouvido falar do tal congelamento. E isso praticamente bastou. Pouco antes de escrever a matéria, o colega da sucursal ligou e disse que seis ministros confirmaram a informação. Ele escreveu. O erro foi percebido quando encontrou dois colegas: a jornalista Claudia Safatle, que disse nunca ter ouvido falar do assunto, e um editor de política, que confirmou que o colega costumava mentir. “Aprendi duas coisas: autoridade de um modo geral quer estar sempre bem informada; quando você leva uma informação, ela se recusa a dizer que não sabe. E a segunda é checar se o companheiro é confiável”, disse, aos risos.
Desejos fora da apuração : Pela IstoÉ, Rossi foi a Santiago durante a ditadura Pinochet, em 1978. Como tinha muita vontade de ver o fim do regime ditatorial, trabalhou para isso. "As informações que levavam a essa conclusão eu exponenciava, as informações contrárias eu minimizava. A IstoÉ saiu com a capa 'Pinochet: cai não cai'. Ele caiu, mas 10 anos depois". “Não podemos deixar que desejos confundam a realidade”, aconselhou.
Crédito:Divulgação Para ela, erros devem ser corrigidos com rapidez e destaque Suzana Singer A falta do sobrenome : No início de sua carreira, ela lembrou um atrito da Folha com a Universidade de São Paulo (USP) porque o jornal publicou uma lista com professores “improdutivos”. "Eu estava cobrindo, peguei um documento que me deram assinado pelo professor Coelho e outros professores e fui embora, nem chequei o sobrenome. Mas tinha dois professores Coelho. Isso serviu para chamarem o jornal de incompetente: olha, nem o nome certo do professor a repórter pegou", recorda. “Não deduza, pergunte”, disse sobre o que aprendeu.
Governador disse : Outro deslize foi na cobertura do caso Eloá, em outubro de 2013. Quando a polícia entrou, todos ouviram um tiro e ela saiu carregada. O governador estava conversando com a jornalista Catia Seabra e disse “ela morreu”. Sem pensar duas vezes, Suzana resolveu publicar na internet. "Mas ela não tinha morrido...".

