Baixar filmes pela internet enfrenta problemas na banda larga

Baixar filmes pela internet enfrenta problemas na banda larga

Atualizado em 21/01/2008 às 14:01, por Redação Portal IMPRENSA.

Depois de praticamente decretar a morte dos CDs com o iPod, Steve Jobs, fundador e presidente da Apple, lançou, na última semana, o novo modelo da AppleTV, um aparelho que permite baixar vídeos da internet e assisti-los diretamente na televisão, em formato de alta resolução. Dessa forma, a era dos DVDs também pode estar perto do fim.

Entretanto, pelo menos no Brasil, fazer o download de um filme da internet esbarra no problema da banda larga. Segundo números da consultoria IDC, cerca de 95% dos assinates de serviços de internet rápida dispõem de velocidade de, no máximo, 2 megabits por segundo (Mbps). Para executar o processo disponibilizado pela AppleTV, o ideal seria 12Mbps. "Estamos muito longe da realidade da Apple", afirma Marcelo Bermudez, diretor de marketing da Universal Pictures Brasil, empresa parceira da Apple no novo negócio.

Mesmo com a limitação assumida pelo próprio Bermudez, ele promete oferecer seu portfólio de filmes via web ainda este ano. Atualmente, só é possível comprar filmes nas lojas virtuais pelo preço de custo de aproximadamente R$ 35. E, além disso, o usuário precisa ter paciência, já que um filme pode demorar horas para ser baixado.

Dessa forma, para a indústria cinematográfica, a possibilidade de comercialização online ainda engatinha. O sistema de aluguel estreou nos mercados americano e europeu em 2006. Hoje, representa cerca de 5% da receita do negócio de distribuição de filmes.

Já Fabio Golmia, diretor do portal Eonde, site dedicado ao entretenimento, pretende disponibilizar cerca de 3 mil títulos de filmes, "a maior vantagem da plataforma online é oferecer controles e sistemas capazes de inibir a pirataria". Dessa forma, a opção online deverá deslanchar, na opinião de Patrick Saretta, diretor da Casablanca, distribuidora brasileira de filmes, por uma razão bastante simples: "Será uma tentativa de interromper o desastre do encolhimento que vitimou o setor no último ano, quando as vendas caíram entre 30% e 40% por causa da pirataria. Afinal, até mesmo videolocadoras fazem cópias irregulares de filmes".

No Brasil, após estrear no cinema, um filme leva até um ano e meio para chegar à televisão aberta. No meio desse processo, havia um bom lucro com a venda do DVD para consumo em casa. A pirataria minou esse segmento. Tanto que o diretor da Warner , Carlos Sanchez, faz uma defesa ardorosa do que chama de "meio eletrônico". "Queremos dar opções legítimas e de alta qualidade para o consumidor, não importa o meio", diz Sanchez, que visita o Brasil nas próximas semanas. "Sempre que aparecem novas alternativas o mercado cresce. Foi assim quando surgiu o VHS e depois o DVD. O que temos de evitar e combater é o crescimento do mercado ilegal".

No momento, os grandes distribuidores estudam possibilidades para acelerar o processo. Há desde parcerias com lojas virtuais até a venda nos próprios sites dos estúdios. Além disso, existem estudos de viabilização dessa distribuição online por meio de outras tecnologias. "Queremos oferecer uma alternativa barata e rápida", diz Saretta. "Ninguém quer ficar sete horas para baixar um filme", finaliza.

As informações são do jornal O Estado de S.Paulo .

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