TV Executivo: Associação de mercado anunciante critica iniciativa de Hélio Costa

TV Executivo: Associação de mercado anunciante critica iniciativa de Hélio Costa

Atualizado em 29/03/2007 às 11:03, por Redação Portal IMPRENSA.

TV Executivo : Associação de mercado anunciante critica iniciativa de Hélio Costa

O projeto de criação de uma rede de televisão pública ligada ao Governo Federal, apresentada pelo ministro das Comunicações Hélio Costa (PMDB-MG) há cerca de duas semanas, recebeu críticas também do mercado anunciante.

A Associação Brasileira de Anunciantes, ABA, emitiu nesta semana um comunicado oficial, intitulado "A ilusão e o equívoco da TV do Executivo", criticando a iniciativa, apoiada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

Por enquanto, apenas o projeto de viabilidade técnica para a implantação da emissora circula em Brasília; o formato e linha editorial do canal ainda nem foram colocados em discussão - e devem ser pensados pelo novo ministério de Franklin Martins.

A ABA, que representa os interesses dos 300 maiores anunciantes do País, classificou a idéia de "desserviço à democracia nacional", "equívoco conceitual", "resultante de uma perspectiva ilusória sobre a eficácia da comunicação pública".

"A proposta é possível tecnicamente, pode ser legalmente suportada e se encontrará uma forma de financiamento para ela", reconhece a entidade, no comunicado. "Mas a criação da TV do Executivo não será positiva".

Destacando a existência dos aparatos da agência estatal Radiobrás e das demais redes públicas - universitárias, legislativas e comunitárias -, lembrando inclusive dos "pífios resultados em termos de audiência, impacto e influência sobre a população", a ABA defende a unificação das operações televisivas dos três Poderes.

"Um sistema único de televisão pública informativa e educativa federal, com governança compartilhada entre os três Poderes e representações diretas da população", resume a nota. "E, mesmo assim, é importante que atue com gestão independente dos dirigentes públicos, sendo governada por um Conselho Independente (aos moldes da BBC)".

Para a entidade, a TV Executivo "será dispersiva na aplicação dos recursos públicos; será pouco eficaz para o próprio processo de comunicação do Executivo Federal; e, principalmente, não será um avanço para a democracia".

Bastante crítico, o comunicado afirma que a emissora não conseguirá "relevância e valor suficientes" para justificar os gastos previstos, de R$ 250 milhões em quatro anos. Para a ABA, "todos aqueles que têm real experiência nos processos de comunicação de massa sabem que o espaço ou tempo que se obtém de forma muito fácil, sem a necessidade de maiores reflexões, postura crítica e cuidados de produção" obtêm este resultado.

"Teremos a manutenção da melancólica realidade de desertos de audiência, devido à égide da irrelevância resultante da falta de propósito de se fazer infindáveis monólogos autopromocionais dos dirigentes públicos", finaliza o texto, que acrescenta os riscos da "tentação de ausência de autocrítica" e o "eventual aparelhamento a interesses partidários".