SJSP - Comissão de Ética realiza debate sobre violência e segurança pública

SJSP - Comissão de Ética realiza debate sobre violência e segurança pública

Atualizado em 09/06/2006 às 07:06, por Por: Sindicato dos Jornalistas Profissionais no Estado de São Paulo.

SJSP - Comissão de Ética realiza debate sobre violência e segurança pública

A cobertura jornalística da violência que tomou as ruas de São Paulo na segunda quinzena de maio, apesar de conter abusos por parte dos programas sensacionalistas, apresentou um bom nível e não cedeu à temperatura febril que tomou as ruas por conta da boataria. Esta foi a opinião da maioria dos participantes do debate realizado na manhã de ontem, 7, no Auditório Vladimir Herzog, do Sindicato dos Jornalistas Profissionais no Estado de São Paulo.

O evento, promovido pela Comissão de Ética do sindicato teve como convidados o ouvidor da Polícia paulista, Antonio Funari Filho, e o coronel Marco Antonio Moisés, coordenador operacional da Polícia Militar, dois envolvidos diretamente com os efeitos da rebelião nos estabelecimentos prisionais que culminou com "passagens e números semelhantes a uma guerra civil não declarada" como lembrou a integrante da comissão e jornalista, Denise Fon.

O mediador do debate, o jornalista aposentado Roland Marinho Sierra, destacou que o momento é propício para a autocrítica: "a poeira já assentou, com quase quatro semanas após o ocorrido, agora é hora de se perguntar o que aconteceu em São Paulo. Como agir com o exemplo?, acrescentou.

Nova Guerra dos Mundos
O ouvidor das polícias estaduais, Funari, afirmou que não foi a facção criminosa PCC a responsável pela onda de pânico que fez com que muitas das cidades paulistas - inclusive a capital - cerrassem as portas do comércio e interrompessem o transporte público. Em sua opinião, a responsável pelo pânico foi a boataria. Comparou São Paulo na segunda-feira, quarto dia da rebelião nos presídios, com os Estados Unidos da década de 50, quando a novela de rádio "Guerra dos Mundos" de Orson Welles, narrando a invasão da terra por marcianos, interrompeu os serviços públicos, o transporte e chegou até a ser motivo de suicídios.

Já a queixa do coronel Moisés, coordenador da PM foi a glamurização dos envolvidos com o crime por parte da imprensa: "Fiquei muito incomodado em ver manchetes como 'PCC parou São Paulo' ou em ver o Marcola na capa da Veja. Estão dando ao PCC uma dimensão que ele não tem". Para ele, a cobertura da imprensa foi boa, pluralista, mas, houveram vários programas que partiram para o sensacionalismo, principalmente os programas policiais de TV. "Num desses programas, passamos três horas acompanhando imagens gravadas de ônibus sendo incendiados. As imagens se repetiam como se estivessem sendo transmitidas ao vivo e ninguém falava que haviam sido gravadas. Para quem ligasse a tv àquela hora, a sensação é que a situação estava pior que realmente havia sido", comentou.

Diferentemente da opinião dos outros membros da comissão e dos debatedores convidados, a juíza Kenarik Boujikian Felippe, da Associação de Juízes para a Democracia e da Comissão de Ética do Sindicato dos Jornalistas, afirmou que a imprensa passou dos limites. "A questão da segurança deve ser colocada como um direito humano. A imprensa falhou em não deixar claro o que estava acontecendo".