SJSC: O que muda em SC com a venda de A Notícia
SJSC: O que muda em SC com a venda de A Notícia
SJSC : O que muda em SC com a venda de A Notícia
Ausência de transparência, medo causado pela concentração da mídia em um único grupo, problemas trabalhistas e ditadura do pensamento único. As várias facetas da venda do jornal A Notícia para o Grupo RBS foram foram a tônica do debate sobre "A Concentração dos Meios de Comunicação de Santa Catarina", realizado pelo SJSC no Instituto Luterano de Educação Superior (Ielusc), em Joinville, cidade-sede do A Notícia .Ninguém sabe, ninguém viu - A total ausência de transparência na negociação foi um dos destaques do debate. Embora já se passem quase 30 dias do anúncio oficial sobre o negócio, os leitores ainda não foram avisados da troca no comando na empresa. Mais estressante é a situação dos cerca de 500 trabalhadores do jornal joinvilense, que não sabem até quando terão emprego. Uma estudante do Ielusc, funcionária administrativa do AN , contou ter atendido ligação telefônica de colegas da sucursal de Florianópolis perguntando se teriam de ir ao trabalho. "Ninguém sabe de nada hoje. Estamos esperando o momento em que alguém virá para dizer algo para nós", ressaltou.
Circulava na redação o boato de que Moacir Thomazi estaria ontem em Florianópolis assinando o contrato de venda do jornal, mas até o momento não foi possível confirmar (ou negar) esta informação. 21 de setembro era o dia marcado pelo comunicado da RBS para que o grupo gaúcho assumisse o controle de A Notícia .
A indiferença dos donos do jornal para com os trabalhadores têm causado não só apreensão. Um relato deu conta de que os jornalistas da sede estão indignados com o fato de terem sido avisados oficialmente da transação pelo diretor de redação, e não pelo dono do jornal.
Boatos também davam conta de que um diretor do Grupo RBS, possivelmente Nelson Sirotsky, estará na próxima terça-feira em Joinville, reunindo-se com empresários locais na Associação Comercial e Industrial (ACIJ). Segundo informações que circularam na redação de A Notícia , a reunião teria sido solicitada pelo Grupo RBS. Mas também esta informação não foi confirmada ou negada a estudantes de jornalismo do Ielusc.
Também foi destacado que a compra do A Notícia e suas implicações não têm sido pautada sequer pelos veículos concorrentes, o que impõe um silêncio geral sobre o assunto para a população catarinense.
Medo - Para o presidente da Federação Nacional dos Jornalistas, Sérgio Murillo de Andrade, a primeira conseqüência preocupante da negociação é o medo. Dois sintomas disso são, de acordo com ele, a pequena participação de jornalistas formados no debate - mesmo quando os cerca de 100 profissionais da sede do AN em Joinville estão com os empregos ameaçados - e a ausência de um representante do Ministério Público no debate, mesmo depois da formalização do convite a diversos Procuradores federais e Promotores de Justiça estaduais.
O coordenador do Curso de Jornalismo do Ielusc, Samuel Pantoja Lima disse que a idéia inicial era realizar o debate na ACIJ, o que foi recusado pela entidade, que também não se fez representar no evento. Igualmente recusados foram os convites feitos aos vereadores joinvilenses, com a única excessão de Adilson Mariano, presente mas não representando a Câmara. Aparentemente, ninguém quer se queimar com o Grupo RBS, sob pena de ser boicotado no único jornal de circulação estadual e nas demais mídias - principalmente televisão - do grupo gaúcho.
Monopólio e ausência de contraponto - A representante do Fórum Nacional pela Democratização da Comunicação (FNDC) no debate, professora Valci Zuculoto, lembrou que a venda de A Notícia implicará na imposição de um único ponto de vista para os leitores. Mesmo não representando uma opinião tão diferente da expressa pelo Diário Catarinense, o A Notícia era um possível canal para outras abordagens e notícias, o que passa a não mais existir.
O presidente em exercício do SJSC, Josemar Sehnem, lembrou que o monopólio é ruim para os jornalistas, que terão menos opções de emprego. Ele destacou também que o Sindicato está atento à forma que se dará a transição do controle para o Grupo RBS, de forma a preservar os direitos trabalhistas de todos os jornalistas que vierem a ser demitidos.
Para o presidente da FENAJ essa monopolização usurpa do leitor o direito de escolha. "Teremos um único discurso à nossa disposição: aquele que fecha com o ponto de vista da RBS", adverte. Para ele é importante estimular o crescimento das mídias regionais e alternativas, de forma a dar às pessoas opções por outras abordagens dos fatos. Ele sugeriu também a criação de mais observatórios da mídia catarinense, ao exemplo do Monitor de Mídia da Univali.
Zuculoto destacou a importância da participação dos jornalistas e da sociedade catarinense na Plenária do Fórum Nacional pela Democratização da Comunicação, que será realizada em Florianópolis entre 20 e 22 de outubro. 





