SIM a Kirchner e NÃO a Lula, por Renato Barreiros, de Buenos Aires

SIM a Kirchner e NÃO a Lula, por Renato Barreiros, de Buenos Aires

Atualizado em 24/10/2005 às 10:10, por Renato Barreiros e  de Buenos Aires.

SIM a Kirchner e NÃO a Lula , por

O último domingo foi um dia agitado, tanto para os brasileiros como para os argentinos, que compareceram às urnas depois de árduas discussões sobre as votações que se realizaram.

Enquanto no Brasil acontecia o plebiscito do desarmamento, na Argentina se realizaram eleições legislativas para renovar parte do parlamento.

O plebiscito sobre o desarmamento no Brasil teve um resultado inesperado com uma virada do NÂO nas últimas semanas, que se transformou em uma enorme "goleada" como está estampado na capa dos principais jornais brasileiros nesta segunda-feira.

Uma parte da imprensa brasileira ressalta como um dos importantes fatores para a derrota do SIM no plebiscito o "voto protesto" ao Governo Lula, que apoiava essa opção. Dentro dessa lógica, o resultado do plebiscito demonstra também o descontentamento dos brasileiros com o atual governo, que está envolvido em um enorme escândalo de corrupção.

Na Argentina, as eleições legislativas também foram vistas como um grande plebiscito para medir a aprovação ao governo Kirchner. A própria esposa de Kirchner era personagem central da disputa, já que concorria ao cargo de senadora pela Província de Buenos Aires.

Segundo os principais meios locais, Kirchner foi o grande vitorioso das eleições "plebiscito" desse domingo, pois além de eleger diversos deputados e senadores, entre eles sua esposa, com uma enorme votação, seus principais inimigos dentro do Partido Peronista, os ex-presidentes Duhalde e Menem tiveram poucos votos e perderam em seus próprios domínios para aliados de Kirchner.

A julgar pelo que está nos jornais de hoje, o café da manhã desta segunda-feira terá um gosto amargo para o presidente Lula, que vai ler nos principais editoriais como um plebiscito que parecia um passeio e que poderia melhorar a imagem de seu governo se transformou em uma manifestação de protesto contra sua gestão, enquanto na Casa Rosada o presidente Kirchner, ao lado de sua vitoriosa esposa, desfrutará um saboroso chá com "medias lunas" e se deleitará lendo a imprensa argentina elogiar seu enorme triunfo.