Sergio Murillo, presidente da Fenaj: "A gestão Hélio Costa é um desastre"
Sergio Murillo, presidente da Fenaj: "A gestão Hélio Costa é um desastre"
Sergio Murillo, presidente da Fenaj : "A gestão Hélio Costa é um desastre"
Por Sempre que a Federação Nacional dos Jornalistas, FENAJ, entra na mira da grande imprensa, seus dirigentes são chamados pejorativamente de "petistas à serviço do Governo".Foi assim na campanha que massacrou o projeto do Conselho Federal de Jornalismo, em 2005, e este ano, quando a entidade sindical máxima das redações brasileiras decidiu lutar pela ampliação da obrigatoriedade do diploma de jornalismo para outras profissões.
A verdade, entretanto, é que os jornalistas ativistas estão desapontados com o governo Lula, especialmente os que lutam pela inglória bandeira da "Democratização da Mídia".
Nesta entrevista ao Portal IMPRENSA, o presidente da FENAJ, Sergio Murillo de Andrade, faz um balanço da política de comunicação do governo Lula, passa a limpo as bandeiras do movimento em defesa da democratização da mídia e revela que votou em Heloísa Helena no primeiro turno das eleições:
Portal IMPRENSA - Você acha que o Lula, em um eventual segundo mandato, vai fazer um governo mais progressista na área da comunicação?
Sérgio Murillo de Andrade - Não. O PT vai bastante fragilizado para a composição do segundo mandato de Lula. A tendência é justamente oposta: deslocar um Governo que é de centro-esquerda para a centro-direita. Esse deslocamento tende a acontecer especialmente na nossa área, da comunicação. Fora o período Miro Teixeira, Lula manteve a tradição de entregar o Ministério [das Comunicações] para os radiodifusores.
Portal IMPRENSA - Quem deveria ocupar o Ministério das Comunicações?
Andrade - Alguém com um perfil mais político e, de preferência, com conhecimento técnico da área. Não deve ser lobista das empresas de rádio e televisão brasileiras ou representante das teles. Eu acho que tem que ser alguém com condição de dialogar com os diversos interesses que estão legitimamente envolvidos na área da comunicação.
Portal IMPRENSA - Como você avaliou a gestão do Hélio Costa?
Andrade - Desastrosa... Um desastre completo e absoluto. Ele transformou o Ministério em uma agência de defesa dos interesses das redes de televisão. O que, aliás, o Ministério sempre foi.
IMPRENSA - Quando começaram a elaborar o programa de governo do PT, 32 grupos de debate foram montados. O primeiro documento do partido tinha vários pontos sobre a democratização da mídia. No final das contas, a mídia recebeu apenas um vago parágrafo.
Andrade - Eu não participei daquilo porque sabia que era uma baita perda de tempo. É um negócio impressionante a covardia do Governo em relação aos meios de comunicação. É escandaloso. A mídia é, no Brasil, o poder menos transparente e menos aberto à participação da sociedade.
IMPRENSA - Os grupos que defendem a democratização da mídia terão espaço no governo nos próximos quatro anos?
Andrade - Não. São vozes importantes, aliadas do movimento social, mas que são minoritárias e foram atropeladas. No processo de decisão da digitalização, por exemplo, haviam manifestações esporádicas. Mas elas não foram consideradas pelo núcleo de decisão do Governo. O movimento não tem a menor influência. Pregam no deserto. Passarão os próximos quatro anos pregando no deserto.
IMPRENSA - Entre as propostas que foram ventiladas pelo PT, estava a criação de uma secretaria de democratização da comunicação, diretamente ligada ao presidente da República.
Andrade - Viagem... Olhando para esse Governo, para o perfil dele, pelos interesses que o sustentam e que devem continuar sustentando um próximo mandato, é pura viagem. Por isso eu não perdi meu tempo participando desses grupos.
IMPRENSA - Mas é uma proposta interessante?
Andrade - Claro que é. A legislação essencial desse País é a mesma de quarenta anos atrás!
IMPRENSA - Ano que vem, vocês voltam a levantar a bandeira do Conselho Federal de Jornalismo?
Andrade - Não sei se vai ser no ano que vem. O que nós deliberamos no Congresso de Ouro Preto é que o avião vai decolar. Vamos avaliar o cenário e rearticular a nossa tropa, que levou muito tiro e ainda tem que curar feridas. Temos que recuperar e resgatar os poucos aliados que tivemos no primeiro embate. Tenho a convicção que, cedo ou tarde, esse Conselho vai ser constituído. A imensa maioria da categoria sabe a importância dele.
IMPRENSA - A FENAJ apóia Lula no segundo turno?
Andrade - Não, de forma alguma. Nós estamos seguindo rigorosamente o que a categoria decidiu democraticamente em Ouro Preto: a FENAJ não apóia nenhum candidato, nem autoriza ninguém a dizer que nós estamos apoiando.
IMPRENSA - Em que você para presidente no primeiro turno?
Andrade - Em Heloisa Helena. No segundo turno, vou votar no menos pior, o Lula... 





