Salomão Schvartzman: "Minha saída da Rádio Cultura se deu por motivos ideológicos"
Salomão Schvartzman: "Minha saída da Rádio Cultura se deu por motivos ideológicos"
Atualizado em 05/07/2007 às 17:07, por
Cristiane Prizibisczki/Redação Portal IMPRENSA.
Salomão Schvartzman: "Minha saída da Rádio Cultura se deu por motivos ideológicos"
Por Foto: DivulgaçãoNa última segunda-feira (02/07), a Rádio Cultura FM tirou do ar 17 programas. Segundo a assessoria da emissora, a medida fez parte de uma "reformulação" que visa priorizar espaço para a música erudita, objetivo estabelecido na época de sua fundação.
Apesar de a emissora ter garantido que a mudança não causaria demissão de nenhum profissional, o primeiro a ser demitido e a ter seu programa retirado da grade foi Salomão Schvartzman, que comandava o "Diário da Manhã". O programa estava no ar há 7 anos e meio e era o que dava maior audiência à rádio.
A reformulação da Rádio Cultura FM faz parte de uma séria de mudanças que vêm sendo implementadas pelo novo presidente da Fundação Padre Anchieta, Paulo Markun, desde a sua posse, no dia 14 de junho.
A assessoria da rádio negou que tenha havido motivação ideológica na mudança. Para Schvartzman, a história é bem diferente. Em entrevista ao Portal IMPRENSA, o jornalista conta o que achou da decisão da TV Cultura.
IMPRENSA - O senhor foi pego de surpresa com a notícia do fim do programa?
Schvartzman - Eu estava saindo do estúdio às 9h, quando recebi a visita do gerente da Cultura FM. Meio constrangido, ele me disse que eu tinha 24h para sair da rádio, sem nenhuma explicação, mas também sem nenhuma censura. Então, na sexta-feira eu fui lá, fiz o programa normalmente e me despedi sem alardes. Eu não compreendi, mas acatei a decisão da nova gestão da TV Cultura.
IMPRENSA - Há quanto tempo o programa estava no ar?
Schvartzman - Desde 1999. Durante 7 anos e meio eu coloquei o "Diário da Manhã" no ar.
IMPRENSA - O que achou da reformulação? O senhor acha que a retirada dos programas do ar foi uma decisão drástica?
Schvartzman - A minha saída se deu por motivos ideológicos. Lamento que isso tenha acontecido, porque era o programa que mais dava audiência para a rádio. Eram 30 mil ouvintes por minuto. Talvez fosse a maior audiência também em comparação à TV. Mas, como me disse a ministra Marta Suplicy, que me ligou assim que soube [da saída], a retirada do programa do ar foi um ato que ofendeu a inteligência dos paulistas.
IMPRENSA - Como está sendo a resposta dos ouvintes?
Schvartzman - Eu recebi mais de 1,2 mil e-mails de ouvintes dizendo que se sensibilizavam e também protestavam contra a decisão da TV Cultura. Isso me sensibilizou também, o carinho dos ouvintes.
IMPRENSA - O senhor já recebeu proposta de algum outro veículo?
Schvartzman - Recebi e já está fechado com a rádio Eldorado AM, onde começo com um programa na primeira semana de agosto.






