"Roda Viva": Entrevista com ministro Franklin Martins teve TV Pública como assunto principal; caso Diogo Mainardi também foi abordado
"Roda Viva": Entrevista com ministro Franklin Martins teve TV Pública como assunto principal; caso Diogo Mainardi também foi abordadoPor O programa "Roda Viva" desta segunda-feira (23), da TV Cultura, teve como entrevistado Franklin Martins, ministro-chefe da Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República, e o tema principal em debate foi a criação de uma TV Pública no Brasil.
Participaram como entrevistadores os jornalistas Augusto Nunes, colunista do Jornal do Brasil ; Alexandre Machado, comentarista de política da TV Cultura; Ricardo Gandour, diretor de conteúdo do grupo O Estado de S. Paulo, Helio Gurovitz, diretor de redação da revista Época , Eleonora de Lucena, editora executiva do jornal Folha de S. Paulo ; Marcio Aith, editor executivo de economia da revista Veja ; Josemar Gimenez, diretor de redação dos jornais Correio Braziliense e do jornal Estado de Minas .
A entrevista começou com uma pergunta do apresentador Paulo Markun, que lançou o assunto a ser explorado pela maior parte do programa. "Que televisão pública os brasileiros poderão esperar do Governo Federal?", indagou o candidato à Presidência da TV Cultura.
A partir de então, Martins passou a defender o modelo que acredita poder implantar no Brasil. "Não é uma TV que vai ficar fazendo comunicação do governo, jornalismo chapa branca e procurando passar os pontos de vista do governo para a sociedade. É uma TV pública, no sentido de que ela não vai se guiar pela lógica comercial. Isso significa que ela não precisa reunir, perseguir e manter altíssimos índices de audiência e, portanto, acabar repetindo a mesma programação sempre. Ela pode experimentar e reunir os vários Brasis dentro dela", disse.
A preocupação com a interferência do governo na emissora, no jornalismo e apuração de notícias também foi abordada. A editora-executiva da Folha , Eleonora de Lucena, quis saber como a emissora abordaria assuntos incômodos como a "crise do mensalão". Martins admitiu que a linha política do jornalismo seria sim influenciada pelo governo. "Interferência na linha política do jornalismo, isso você também tem na TV comercial, vamos ter claro. Não é que a TV comercial faz o jornalismo sempre isento, não tem pressão, não tem nada e a TV pública tem. O problema existe para todo mundo...", analisou o ministro.
Quanto aos anúncios, Franklin declarou ser contra comerciais da TV Pública, mas disse ser a favor de patrocínios, ainda que vindos de empresas estatais. "Eu sou a favor do patrocínio, ou seja, em que se associa a marca da estatal. Sou contra publicidade, a favor do patrocínio. A estatal associa a marca dela àquele determinado programa. Isso já vem sendo feito no Brasil, não tem nenhuma novidade", disse.
Quando questionado sobre o fato de o presidente Lula ter realizado raras entrevistas coletivas formais, Martins disse que Lula dará uma coletiva à imprensa na primeira quinzena de maio e que o governo pretende melhorar a relação com a mídia. "Eu, sinceramente, acho que as relações entre o presidente e a imprensa estão em processo de extensão. Acho que isso é muito positivo para o país".
Caso Diogo Mainardi
Um dos momentos mais tensos do programa foi quando Martins mencionou a sentença favorável que obteve em primeira instância, contra Diogo Mainardi e a revista Veja , enquanto falava sobre a intoxicação entre a relação do governo com a imprensa. O jornalista Marcio Aith, editor de economia da revista, citou uma carta escrita por Franklin à Abril, com ofensas à Mainardi e citou, ainda, as circunstâncias em que o ministro obteve vitória em primeira instância, já que o juiz ainda não havia anexado a defesa da Abril, bem como teria publicado a sentença antes que ela fosse assinada. "Evidentemente que eu sabia, meu advogado me avisou, estava no site da Justiça Federal. Eu não vou ficar entrando nesse tipo de coisa".
O jornalista Kennedy Alencar publicou nota no dia 16/04, na , na qual falava sobre a condenação de Mainardi, datada de 17/04. Segundo disse o jornalista em seu blog, não houve nada de ilegal na publicação, nem na ação do juiz. Procurado pela reportagem do Portal IMPRENSA, Alencar afirmou que tudo o que tinha para dizer constava na coluna , de título .
Reinaldo Azevedo, que mantém um no site de , vem há dias, postando textos na página, na qual demonstra sua indignação com o caso. Ao Portal IMPRENSA, o jornalista preferiu não comentar o assunto.
Já Diogo Mainardi, que em sua coluna desta semana de Veja abordou o tema, afirmou à IMPRENSA: "O assunto não se esgota com minha coluna ou com a excelente matéria da Veja . O corregedor poderá esclarecer todos os fatos. Digo apenas que sou grato ao Kennedy Alencar: se ele não tivesse enfiado os pés pelas mãos, jamais saberíamos o que aconteceu". 





