Repto: Gullar desafia ministro e secretário

Repto: Gullar desafia ministro e secretário

Atualizado em 16/01/2006 às 13:01, por Redação Portal IMPRENSA.

Repto: Gullar desafia ministro e secretário

O poeta Ferreira Gullar não aceitou o fato de ter sido chamado de stanilista pelo secretário de Políticas Públicas do Ministério da Cultura, Sérgio Sá Leitão. Em sua coluna semanal publicada no último domingo (15/01), na Folha de S.Paulo , Gullar expressou o quanto está distante da ideologia stanilista e do autoritarismo, e ainda aproveitou a oportunidade para lançar um desafio ao Ministro e ao seu secretário, "desafio o ministro Gil e seu javali de gabinete a citarem uma só frase minha, escrita em qualquer época, em defesa do stanilismo".

No artigo sobraram farpas para o Ministro Gil, "o que queremos é que ele dê expediente integral no ministério, faça jus ao cargo", desabafou Gullar. O poeta ainda contou sobre a sua ação não autoritária na época em que ocupou a presidência da Funarte, no início dos anos 90, e falou sobre a sua relação com o PCB (Partido Comunista Brasileiro), "afora o MinC, todo mundo sabe que, quando o Partido Comunista do Brasil se cindiu, os stanilistas ficaram no PC do B e os não-stanilistas, no PCB. Pois foi para o PCB que eu entrei muitos anos depois".

Finalizando a coluna, Ferreira Gullar pediu provas de que foi stanilista, "se não o fizerem, estarão admitindo tacitamente que são caluniadores e irresponsáveis. Ficarei à espera".

A polêmica
No início deste mês, após ser questionado sobre a atuação do Ministério da Cultura, durante sabatina promovida pela Folha , Ferreira Gullar respondeu que não acompanhava de perto o trabalho do órgão público, mas disse ter ouvido "reclamações e críticas a certa tendência centralizadora na sua condução". A resposta de Gullar gerou insatisfação no ministério, que prontamente, através de Sá Leitão, enviou uma carta à imprensa rechaçando as críticas, "Não deixa de ser curioso um comunista criticar algo ou alguém por uma suposta "centralização". A "centralização" não era a marca registrada dos finados regimes stalinistas dos quais Gullar foi e segue sendo um defensor?". A opinião do secretário não agradou a Ferreira Gullar, que logo em seguida respondeu em apenas uma linha que tal carta parecia escrita pelo antigo SNI, Serviço Nacional de Inteligência da Ditadura Militar.

A polêmica não parou por aí, dias depois diversos artistas e personalidades como Oscar Niemeyer e Luiz Carlos Barreto lançaram um abaixo-assinado em defesa de Gullar. Acuado, Gilberto Gil disse que estaria disposto a entregar o cargo.