Referendo: Stephen Kanitz defende posição de Veja

Referendo: Stephen Kanitz defende posição de Veja

Atualizado em 16/01/2006 às 12:01, por Denise Moraes | Redação Portal Imprensa.

Referendo: Stephen Kanitz defende posição de Veja

Já se passaram três meses desde aquela edição de Veja se posicionando a favor do "não" no referendo sobre a proibição do comércio de armas de munição no país. No entanto, alegando até hoje receber reclamações de leitores sobre o assunto, o colunista de Veja, Stephen Kanitz, resolveu retomar o tema na edição desta semana.

Segundo Kanitz, a idéia do jornalismo "imparcial" - aquele que apenas fornece as informações, deixando a conclusão a cargo do leitor - é apenas uma das várias vertentes da profissão de acordo com as origens que esta teve. Segundo ele, isso teve origem com o capitalismo, quando, para aumentar o número de leitores, o jornal - que passara a ser uma empresa com fins lucrativos - criou a "conceito da necessidade de respeitar todas as opiniões, de perseguir uma imprensa liberal, democrática e pluripartidária".

No entanto, ele alega que a classe média, que hoje é a grande consumidora de informação, não tem tempo "para nada". Caberia, então, à imprensa tirar as tais conclusões por ela. "[ A classe média ] depende de jornais e revistas que analisem por ela, que tenham a mesma visão de mundo, que analisem os fatos da mesma forma que faria alguém de sua classe", argumentou.

Para Kanitz, o que Veja fez foi um "jornalismo opinativo", um tipo de jornalismo muito mais útil ao leitor e pouco em voga atualmente. "Não é à toa que o jornalismo está lentamente perdendo assinantes e leitores, a nova geração não tem opiniões fortes, o país não possui mais projeto e nossas discussões intelectuais se tornaram silenciosas", conclui.