Polêmica: Suplemento infantil da Folha implanta classificados e provoca reações de indignação nos leitores

Polêmica: Suplemento infantil da Folha implanta classificados e provoca reações de indignação nos leitores

Atualizado em 16/10/2006 às 13:10, por Alex Sander Alcântara/Redação Portal IMPRENSA.

Polêmica : Suplemento infantil da Folha implanta classificados e provoca reações de indignação nos leitores

Por A "Folhinha", suplemento da Folha de S. Paulo direcionado às crianças, implementou, no último dia 19/08, anúncios classificados voltados para o público infantil e para os pais.

A iniciativa do departamento comercial tem como objetivo "atender à procura crescente, por parte dos anunciantes, de acesso a esse público". A idéia desagradou em cheio os pais e leitores da Folha , especialmente na edição de 7/10, que foi ás bancas pouco antes do dia das crianças. O suplemento veio com vinte páginas - e não com oito -, sendo que mais da metade, algo em torno de 60%, só de peças publicitárias.

A reação dos leitores, que repercutiu na seção "Ombudsman" da Folha , cresceu proporcionalmente ao número de anúncios. Muitos se disseram "indignados e tristes" com a iniciativa. Para eles, o caderno tinha uma "função pedagógica" e era o único "não poluído com propaganda".

A crítica dos leitores aos classificados não se refere somente ao conteúdo, mas também ao próprio espaço cedido aos anunciantes. A utilização de classificados na "Folhinha" coincidiu com a adoção, por parte do Conselho Brasileiro de Auto-Regulamentação Publicitária, Conar, de novas normas éticas para a publicidade de produtos destinados a crianças e adolescentes. As novas regras, em vigor desde 1º de setembro, foram criadas a partir do pressuposto de que "se trata de um público com personalidade em formação, presumivelmente inapta para responder de forma madura aos apelos de consumo".

De acordo com o ombudsman da Folha , Marcelo Beraba, que já havia criticado a iniciativa do veículo, a discussão está aberta. "Os jornais precisam de anúncios para garantir sua saúde financeira; e os anúncios, inclusive os classificados, são fontes de informação e orientação para os leitores. O ponto é saber que papel tem na educação e na formação das crianças", disse em sua coluna semanal de ontem.