Outro lado: MST ajuda estudantes a ocupar a universidade de Viçosa; não o contrário

Outro lado: MST ajuda estudantes a ocupar a universidade de Viçosa; não o contrário

Atualizado em 21/04/2007 às 00:04, por André Monteiro,  Fernanda Torquato e Natália Cordeiro e  em colaboração para o Portal IMPRENSA.

Outro lado : MST ajuda estudantes a ocupar a universidade de Viçosa; não o contrário

Por A maneira como a grande mídia abordou a ocupação do Departamento de Engenharia Florestal (DEF) da Universidade Federal de Viçosa (UFV) foi bastante imprecisa. Os noticiários em geral estão tratando como se a manifestação tivesse sido realizada pelo Movimento dos Sem-Terra (MST), quando, na verdade, foi organizada pelo movimento estudantil, mais especificamente pelo Diretório Central dos Estudantes (DCE) da Universidade.

A participação do MST no episódio restringiu-se ao apoio de 40 membros durante a ocupação, que permaneceram no local apenas por algumas horas, na terça-feira, dia 17. O MST foi convidado a participar da manifestação, assim como os estudantes já apoiaram ações do MST, explicou a representante do DCE Marília Fontes.

"A imprensa tem dado ênfase a isso e não entende a relação que foi construída entre o movimento estudantil daqui de Viçosa e o MST, que é um parceiro de luta. Assim como a gente sempre esteve em lutas deles, eles estão nas nossas lutas também."

A principal pauta de reivindicação do movimento estudantil é a discussão sobre as parcerias público-privadas que vêm crescendo dentro da Universidade. No DEF, funciona a Sociedade de Investigação Florestal (SIF) que é um exemplo dessa parceria. A SIF é uma empresa de direito privado que se associa a transnacionais do setor eucaliptocultor. Ela desenvolve tecnologias integrando recursos da universidade, de empresas privadas e outras organizações.

Segundo publicação do DCE, "A Universidade Pública têm sido alvo das reformas políticas e sociais do projeto neoliberal. O Capital Transnacional, através do Banco Mundial, do BIRD e do FMI, vem traçando diretrizes para as políticas de ensino superior no Brasil. A meta é a transformação, autorizada, das universidades em empresas econômicas, através das Parceiras Público-Privadas, de caráter fortemente privatista, e precarização da estrutura pública".

Alberto Ferreira, estudante do 9º período de Engenharia Florestal, é contra a ocupação do departamento, já que a maioria das pautas não diz respeito ao DEF. Ele ainda defende que as parcerias público-privadas, como no caso da SIF, são benéficas não só para o departamento, mas para toda a Universidade.

A Reitoria, juntamente com a Diretoria do Centro de Ciências Agrárias e o DEF, divulgou nota à comunidade, na qual se comprometeu a manter o diálogo com o Movimento Estudantil após a desocupação.