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O desabafo de Boris Casoy: "Eu não faria com prazer um clone do Jornal Nacional"

O desabafo de Boris Casoy: "Eu não faria com prazer um clone do Jornal Nacional"

Atualizado em 17/03/2006 às 09:03, por Pedro Venceslau e  da redação.

O desabafo de Boris Casoy : "Eu não faria com prazer um clone do Jornal Nacional"

Por Pressão do governo? Audiência? Política interna? Pesquisas de opinião? Nem Boris Casoy sabe por qual desses motivos foi demitido da Record. Sabe-se apenas que a relação entre ele e os dirigentes da emissora mateve-se tensa durante o segundo semestre de 2005. Insatisfeitos com a persistente média de cinco pontos no Ibope do "Jornal da Record", o bispo Honorilton Gonçalves - homem forte da Igreja Universal na emissora - e Alexandre Raposo, o presidente de fato, decidiram gastar tanto quanto fosse necessário para transformar o principal telejornal da casa em um clone do "Jornal Nacional". Boris Casoy detestou a idéia. Foi então que os problemas começaram.

Para sustentar a tese de que a clonagem era a salvação da lavoura, a Record encomendou uma pesquisa qualitativa para o Ibope. O resultado, apresentado em uma solene exibição de slides, apontava pontos negativos e positivos no "Jornal Record". Não havia, porém, nenhuma veredicto definitivo na pesquisa indicando a clonagem como solução para o programa decolar. "A pesquisa apontou várias falhas. Entre elas, que o cenário novo, que já era parecido com o da Globo, era muito ruim", conta Boris, com a pesquisa em punho, nesta entrevista exclusiva pata o Portal IMPRENSA. Diante da contundente negativa do âncora, a emissora começou a convidar, sem cerimônia, outros jornalistas para o seu lugar, entre eles a dupla William Bonner e Fátima Bernardes.

A queda de braço durou até o último dia 30 de dezembro, quando Boris foi informado pelo Bispo Honorilton Gonçalves que seu contrato seria rescindido. "Naquela noite, eu, a Salete Lemos e o Dácio Nitrini fomos impedidos de apresentar o jornal", desabafa.

Apesar do divórcio litigioso com a Record, Boris duvida da tese de que sua dispensa decorreu de pressões políticas do presidente Lula, aliado do Bispo Marcelo Crivela nas eleições cariocas. Mesmo assim, ele conta que um diretor comercial da emissora tentou emplacar um slogan do governo - "Brasil, um país de todos" - no pé de um anúncio institucional do "Jornal da Record". A entrevista completa você encontra na próxima edição da Revista IMPRENSA. Com a palavra, Boris Casoy:

Portal Imprensa - A pesquisa do Ibope, que teria apontado diversos problemas no "Jornal da Record", como lentidão e excesso de opinião, foi decisiva para a estratégia de clonar o "Jornal Nacional"?
Boris Casoy -
Em primeiro lugar, eu coloco em dúvida a metodologia da pesquisa aplicada. Trata-se de uma pesquisa de mercado auxiliar e ligeira, que sofre contestação científica. Nós combinamos um tipo de pesquisa e a Record fez outro. Os resultados não apontam para nada disso. A pesquisa de fato mostrou várias falhas, entre elas que o cenário novo, que já era parecido com o da Globo, era muito ruim. E sugeriu que se melhorasse a reportagem e novos correspondentes internacionais fossem contratados.