Luxo na prostituição e lixo na cultura | por: Aline Pires dos Santos - Universidade Anhembi Morumbi (SP)
Luxo na prostituição e lixo na cultura | por: Aline Pires dos Santos - Universidade Anhembi Morumbi (SP)
Atualizado em 02/03/2006 às 16:03, por
Por: Aline Pires dos Santos estudante de jornalismo da Universidade Anhembi Morumbi (SP).
Luxo na prostituição e lixo na cultura | por: Aline Pires dos Santos - Universidade Anhembi Morumbi (SP)
Após uma trégua nos escândalos no campo político de nosso país, as atenções se voltaram para a área do comportamento e das celebridades, principalmente nessa época de carnaval, quando tudo é permitido por se tratar da maior festa popular do Brasil.Foi exatamente nesse clima de festa e descontração que na semana passada uma jovem prostituta de luxo paulistana, estampou a capa de uma das revistas de maior circulação do país. Analisando friamente a repercussão desse assunto, pode-se chegar a uma conclusão no mínimo revoltante. Se uma jovem estudante ganha uma olimpíada de física, salva a vida de alguém ou mesmo se um pobre funcionário acha uma maleta com dinheiro e a devolve, não ganha o prestígio e o destaque em nenhum veículo como o que esta moça está tendo.
Será que está faltando assunto em nosso país? Será que a imprensa está enaltecendo a profissão mais antiga do mundo a ponto desse assunto virar matéria de capa?
Jovens adolescentes e os pais merecem ser instruídos a respeito de todos os assuntos, até porque o principal papel do jornalismo é a prestação de serviço, porém informações como o salário dessas garotas, onde elas trabalham, como gastam e com quem convivem, não têm utilidade alguma e podem, ao invés de alertar as jovens sobre os riscos da prostituição, vender a falsa idéia de um mundo cor-de-rosa, de uma vida cercada de luxo, dinheiro e famosos.
O mérito aqui discutido não é o da prostituição, visto que essa é uma problemática que merece ser discutida pelas autoridades, mas sim o papel da imprensa e dos jornalistas e o compromisso com a prestação de serviço acima citado. A indústria cultural, cada vez mais cria ídolos, vende sonhos e talvez seja mais eficaz do que a própria publicidade. Esta mesma indústria impõe padrões, valores e ilude a população alienada em sua maior parcela.
E foi esta mesma população, influenciada pela mídia que divulgou a vida desta garota, que fez com que o livro por ela escrito virasse um best-seller (mais de 80 mil exemplares vendidos), fato curioso em um país onde a maioria das pessoas não possui o gosto pela leitura.
Até mesmo a profissão mais antiga do mundo vive seus dias de glória e produtos eróticos levando o nome de suas criadoras não tardam a ser consumidos. É preciso instruir, educar e fazer com que essa juventude não politizada e alienada em sua maioria, passe a se espelhar nos bons exemplos e olhe o mundo com olhos críticos, passando assim a consumir e produzir boas idéias, bons textos e livros, e não cultura inútil!
Que esta mesma indústria cultural venda idéias melhores, criativas, inovadoras, as quais contribuam para o crescimento de nosso país. Que o jornalismo e a literatura de qualidade sejam produzidos e consumidos no Brasil e no mundo, traduzindo assim a mudança da mentalidade de quem informa e dos que são informados.






