Livros: Eliane Brum e suas extraordinárias vidas anônimas

Livros: Eliane Brum e suas extraordinárias vidas anônimas

Atualizado em 28/08/2006 às 14:08, por por Lucas Pires/Redação Portal Imprensa.

Livros: Eliane Brum e suas extraordinárias vidas anônimas

Nos anos 90, a jornalista gaúcha Eliane Brum brilhou no jornal Zero Hora escrevendo crônica – reportagens no melhor estilo “ new journalism ”, gênero criado por Lillian Ross e consagrado por Truman Capote, ambos da revista New Yorker .
Sua especialidade era contar histórias de pessoas anônimas e buscar acontecimentos que não viravam notícia: o mendigo que jamais pediu coisa alguma, o carregador de malas do aeroporto que nunca voou, o álbum de fotografia atirado no lixo que começa com uma moça de família e termina com uma corista, o homem que come vidro, mas só se machuca com a invisibilidade. Em seus textos, pequenas e aparentemente insignificantes vidas transformam-se em grandiosas, repletas de vida e heroísmo. A elas Brum dedica um quê de prosa, um dedo de poesia através de um olhar singelo, sem pré-julgamentos. Ela fez da vida que ninguém vê algo para todo mundo ler.
Estas saborosas histórias da vida real foram reunidas no livro A vida que ninguém vê , que Eliane Brum lança no dia 18 de setembro em São Paulo, na Livraria da Vila. Confira a conversa de IMPRENSA com a autora.

IMPRENSA - De onde veio a idéia da coluna “A vida que ninguém vê”?
Eliane Brum - A proposta era ser algo diferente do jornalismo clássico, era escrever sobre o que não é notícia, sobre seres anônimos. Enfim, ter um olhar diferente sobre a notícia, que revela que o ordinário da vida é o extraordinário.

IMPRENSA - Como encontrou tantos personagens fascinantes?
Eliane Brum - Eles estavam em toda parte, pois todas as pessoas são interessantes. Se pararmos para ouvi-las, acabamos encontrando histórias maravilhosas. Não existem vidas comuns. Por exemplo, passei 10 anos da minha vida cruzando com o Sapo [mendigo na rua da Praia que fica deitado, pois não pode andar] e nunca tinha mudado meu foco. O que tive de fazer foi abaixar meu olhar, nivelar nossos olhares para descobrir uma história linda.

IMPRENSA – E como foi o contato com tantas vidas, muitas delas trágicas?
Eliane Brum - O contato é com respeito e delicadeza. Ninguém entra na sua vida impunemente. Todas elas me transformaram, me deixaram sem dormir. Mas não são histórias de derrotas, são reinvenções.

A vida que ninguém vê
Editora: Arquipélago
208 páginas
R$ 32,00