LAS VEGAS: Onde tudo é permitido
LAS VEGAS: Onde tudo é permitido
LAS VEGAS : Onde tudo é permitido
Nas últimas semanas fiz uma viagem que há tempos tinha vontade: percorri grande parte da Costa Oeste dos Estados Unidos. Saí de São Francisco, Califórnia, dos bondes e cruzeiros que rodeiam a Golden Gate e desci de carro pela costa do Pacífico até o Grand Canyon, no Arizona, passando por Los Angeles e Las Vegas. Lembrei-me de um professor da faculdade que sempre nos dizia: se você quer ser um bom jornalista, tem que viajar e conhecer de perto a realidade dos lugares. Talvez por isso eu seja tão fascinada por viagens.
Colecionei fotos de paisagens lindas e cidades turísticas deslumbrantes, mas é das luzes de Las Vegas que quero me dedicar nesta semana.
Nascida em um oásis no meio do deserto de Nevada, Vegas parece ter sido construída para satisfazer todos os desejos dos americanos, em sua maioria conservadores, que passam por lá só nas férias (e também para os milhares de turistas que a visitam). O próprio slogan da cidade já é convidativo à eles: "O que acontece em Las Vegas, fica em Las Vegas", exibem os cartazes de agências de viagens.
Logo que você chega à Vegas, a principal rua por qual você passa é a "Strip", que se estende por cerca de cinco quilômetros. Nela há diversos "mega-hotéis", cada qual com um tema original que vai desde Paris até a Itália. Todos hotéis-cassinos faraônicos como o Luxor, que possui 4.427 quartos, e o leonino MGM Grand com 5.005 quartos, que reivindica o título de maior hotel do mundo.
Parece tudo deslumbrante até você descer do carro. Eu desci perto de uma esquina e, como de costume, fui pegar um jornal naquelas caixinhas comuns em que colocamos moedas para retirar o periódico do dia. Para minha surpresa, ao invés dos jornais da região encontrei apenas jornais e folhetos com anúncios de garotas de programas.
Sempre soube que a cidade era o parque de diversão de adultos e que o pacote incluía jogos, bebidas e mulheres, mas não imaginava que a divulgação da prostituição era tão escancarada.
Talvez você já tenha ouvido dizer que Nevada (o Estado em que fica Las Vegas) é o único nos Estados Unidos onde a prostituição é legal. E isso é correto, mas a prostituição não é legal em toda a Nevada. Isso acontece em poucas cidades que ficam a cerca de 60 milhas de Las Vegas, locais onde bordéis licenciados são regulados pelo Estado, submetendo os funcionários a frequentes exames médicos, por exemplo. Mas em toda a região de Las Vegas, conhecida como Clark County, a prostituição é ilegal. Isso mesmo, na sin-city (cidade do pecado) a prostituição é, teoricamente, proibida. Só que na prática a exposição de mulheres e a distribuição de cartões de prostitutas em todas as esquinas é frequente.
E apesar da idéia moderna de que Las Vegas virou uma cidade turística para toda a família, ainda encontramos cassinos esfumaçados com garçonetes usando roupas bastante escandalosas e servindo bebidas de graça aos jogadores, além de shows com bailarinas dançando nuas sob os palcos de néons.
Sem falar que fora dos cassinos, nas ruas iluminadas pelos gigantescos hotéis, o barulho que se ouve vem das mãos de latinos, vestidos com camisetas que exibem o telefone de prostitutas, batendo cartões de divulgação do serviço de sexo entre os dedos, para chamar a atenção e entregá-los a quem transita por alí, seja garotos, casais, mulheres ou adolescentes.
Um lado um pouco adulto demais para as crianças e jovens que vi passeando pelas calçadas dos cassinos e que, confesso, tirou um pouco do brilho daquele lugar para mim. Talvez eu também tenha sido influenciada pelos sorrisos que não vi nos rostos das garçonetes (com exceção dos momentos em que elas estavam recebendo gorjetas dos jogadores dos cassinos) e pelas caras dos visitantes frustados em frente às mesas e máquinas de jogos depois de perderem bons dólares. Sem falar na imagem de muitas garotas que certamente foram forçadas a entrar no mundo do sexo.
Mas tinham também pessoas gritando de alegria, ganhando boa quantias nos cassinos, e rindo sem saber porquê depois de tantos drinques. Las Vegas é assim. A cidade das fantasias, não só da alegria, mas onde tudo parece ser possível.






