JB e Correio Popular: informação de roupa nova
JB e Correio Popular: informação de roupa nova
JB e Correio Popular : informação de roupa nova
PorJornais de renome no Brasil, Correio Popular e JB aparecem de cara nova nas bancas. O primeiro, passou por uma verdadeira reforma gráfica. Já o segundo, passa por um processo de modernização de sua estrutura
Não só de textos vive um jornal. Tão importante quanto a qualidade do que é lido, é a disposição das matérias e o aspecto da publicação. Por isso, o projeto gráfico é fator de extrema importância. De nada adiantara um excelente texto, se a diagramação do jornal não proporcionar uma leitura aprazível.
Preocupados em dar mais agilidade à leitura de seus textos, dois jornais brasileiros passaram, recentemente, por mudanças: o Correio Popular , de Campinas, com sua reforma gráfica, e o Jornal do Brasil , do Rio de Janeiro, com a modernização de suas páginas.
Aniversário de cara nova
Para comemorar 78 anos, no início do mês passado o jornal Correio Popular inovou em sua tipologia e elementos gráficos, como forma de facilitar a leitura, através da organização das matérias."Essas mudanças não têm como objetivo transformar o Correio em um novo jornal. A reforma foi planejada exatamente para valorizar ainda mais as virtudes do veículo", diz Nelson Homem de Mello, diretor editorial da Rede Anhanguera de Comunicação (RAC) - da qual o Correio Popular faz parte - e um dos pais do novo projeto, junto do jornalista Francisco Amaral, ex-editor do Correio Braziliense e um dos diretores Cases y Associats , com sede em Barcelona, empresa para qual foi entregue a reforma.
Apesar de o jornal ser bem aceito pelos leitores, segundo Homem de Mello, as pessoas envolvidas com a produção do jornal sabiam que, graficamente, ele poderia melhorar, o que consolidaria a reforma iniciada em 2001. "Resolvemos então acelerar a reformulação, aproveitando o aniversário do Correio em quatro de setembro para lançar o novo visual. Reforçamos o que o jornal tem de bom e aperfeiçoamos outros aspectos que antes não tinham destaque", completa.
Legibilidade e espaço
Manter a personalidade do jornal foi uma das preocupações da reforma pela qual passou o Correio . Mesmo assim, as mudanças foram muitas: as matérias ganharam infográficos e boxes auxiliares. Além disso, os cadernos estão identificados por cores e a hierarquia das matérias está melhor estabelecida. A seção de cartas ganhou, além de mais espaço, chamadas na primeira página e as fotos dos remetentes - característica desta seção no Correio - foram mantidas.
Outra mudança significativa foi na tipologia do jornal. A fonte atual teve seu corpo reduzido, mas garante maior legibilidade, deixando o jornal mais leve. Homem de Mello salienta, que a nova fonte otimiza os espaços. "Ela permite a condensação de um volume maior de informações, sem dar a sensação de páginas superlotadas", conta. Os classificados ganharam também um novo tratamento, alinhando-se a todo o jornal.
Para o lançamento do novo projeto gráfico, a RAC investiu cerca de R$ 800 mil, em uma campanha desenvolvida pela Saviezza Propaganda - empresa de Campinas - que envolveu outdoors, banners, revistas e jornais, abrigos de ônibus, entre outros. O Correio Popular é o maior jornal em circulação no interior paulista, com 55 mil exemplares aos domingos e um público leitor altamente qualificado, sendo que 58% são das classes A e B.
JB : saindo do fundo das bancas
O Jornal do Brasil também passou por mudanças, mas estas não são classificadas como uma reforma gráfica, por Ana Maria Tahan - diretora de redação do jornal e responsável por suas recentes mudanças. "Nós passamos por uma modernização gráfica, não por uma reforma", sentencia.
A crise política foi o estopim para a modernização pela qual passa o jornal. Em 07 de junho deste ano, o JB publicou uma matéria que tratava sobre a confirmação de Roberto Jefferson de que existia, de fato, um mensalão no Congresso Nacional. Nove meses antes - em 24 de setembro - o jornal havia denunciado o esquema de pagamento aos deputados, no entanto, não houve qualquer resposta do governo. "Quando o Roberto Jefferson confirmou nossa denúncia, entramos em banca com a manchete estourada - "E agora, Lula?" - assim, mudamos nosso conceito de capa. Daí para frente, ela não poderia voltar a ser como antes", conta Tahan.
A idéia, então, passou a ser que o JB deixasse de ser um jornal "comportado" e passasse a ser mais sintonizado com os acontecimentos. "O jornal tinha que se tornar mais nervoso, ativo, sintonizado, participante. Menos acomodado", disse. Por isso, ele se encontra em contínua e permanente modernização.
O melhor de cada mídia
A modernização do JB partiu da capa. Foram incorporadas ao jornal características marcantes revistas, jornais e TV. "Usei minha experiência nestas mídias para utilizar o que havia de melhor em cada uma, para fazer do jornal um produto mais agradável, melhor", garante.
Entre as características de outras mídias presentes no JB estão: título em cima da foto, foto recortada, valorização de gráficos, entre outros.
Assim que as mudanças estavam concretizadas e firmadas na capa, foram difundidas nas demais editorias. De acordo com Ana Maria, o JB é o único jornal que estoura uma matéria em 10, 12 colunas. "Quando queremos dar destaque a alguma matéria, estouramos o título em duas páginas e fazemos a diagramação em até 12 colunas".
O objetivo da modernização foi fazer do JB um produto mais atraente, de leitura mais prazerosa. E este é o apenas o começo: está programada para janeiro de 2006, uma reforma gráfica efetiva. "Estamos mudando para uma gráfica que trabalhará exclusivamente com nosso jornal e isso facilitará as mudanças que vêm a seguir", salienta a diretora de redação.
De qualquer forma, o leitor parece já ter percebido as mudanças e o retorno já está aparecendo. O JB teve um aumento nas vendas de 15% em dias de semana e 20% nos finais de semana, além disso, deixou de estar escondido nas bancas para tomar uma posição de destaque. "Aqui no Rio, é praxe que os jornaleiros coloquem um jornal de destaque aberto nas bancas. O JB não só saiu do fundo das bancas, como é colocado aberto para que o leitor possa ver os destaques. Sinal que o trabalho de modernização vem sendo reconhecido", conclui.






