Forças Armadas: Exército Brasileiro critica postura da mídia no Haiti, por Josimara Silva*
Forças Armadas: Exército Brasileiro critica postura da mídia no Haiti, por Josimara Silva*
Forças Armadas : Exército Brasileiro critica postura da mídia no Haiti, por Josimara Silva*
* Josimara Silva é aluna do curso de Jornalismo da Universidade Cidade de São Paulo O Coronel Luiz Felipe Kraemer Carbonell, chefe de planejamento do Centro de Comunicação Social do Exército Brasileiro, critica a atuação da imprensa nos conflitos do Haiti ressaltando a falta de confiança da imprensa nas informações transmitidas pelo exército.Carbonell afirma que a mídia brasileira não tem condições para realizar coberturas de guerras, pois "não há preparação dos repórteres, são desconfiados e não possuem estrutura, os equipamentos são pesados, não contratam intérprete e vão a campo sem dinheiro suficiente, além de muitas vezes não respeitarem as ordens que impomos justamente para que eles não sejam expostos a riscos maiores".
O Haiti tem uma população com pouco mais de oito milhões de habitantes e, de acordo com pesquisas realizadas pelo censo, é o país mais pobre do continente americano. Quase todo o país não possui luz elétrica nem água canalizada. Desde a sua independência da França em 1804, o país sofre muitos problemas com a pobreza e como conseqüência a desestrutura social e formação de grupos armados. "Culturalmente a polícia do Haiti é muito violenta, e a população responde a essa ação", afirma o coronel.
O Brasil mantém em campo 800 homens para fazer a segurança da população de Porto Príncipe, capital do Haiti, com mais de 2 milhões de habitantes. O coronel ressalta que é muito pouco, e fala da importância da mídia em entender o contexto da situação: "O jornalista tem que ter contato com as lideranças, população haitiana e os grupos armados, é necessário saber o que eles pensam e o que eles querem".
Ele relata que a imprensa não tinha esses contatos, e que comunicação política também é falha porque os jornalistas não explicam os interesses políticos envolvidos e as conseqüências dos conflitos armados.
Missão da Exército no Haiti - Durante a coletiva que Carbonell concedeu aos estudantes de jornalismo, foi questionado diversas vezes sobre a missão que o exército estava incumbido de realizar no Haiti.
A carta das Nações Unidas - resolução 1542, de 30 de abril de 2004, decidiu estabelecer a missão das Nações Unidas no Haiti - A MINUSTAH (Missão da ONU para Estabilização do Haiti), atuando no capítulo 7, que prevê o uso da força quando necessária para garantir o cumprimento da missão ou quando alguém estiver ameaçando a tropa ou a segurança do país.
Já o coronel Carbonell afirma que "a missão da MINUSTAH foi prevista no capítulo 6 e atuamos no capítulo 6", que é a manutenção da paz, permitindo que os soldados apenas interfiram ou reajam se forem alvos de hostilidade.
Outro questionamento feito ao coronel foi referente aos soldados brasileiros que supostamente espancaram policial haitiano; ele confirma que até hoje não há provas desse acontecimento, no entanto a Cruz Vermelha reconheceu que o policial apresentava traumatismos nas costas.
O repórter Iuri Dantas, da Sucursal de Brasília do jornal Folha de S. Paulo esteve em janeiro no Haiti e alega que "as dificuldades principais na cobertura jornalística foram a segurança e a ausência de instituições haitianas. Segurança porque não era possível chegar a alguns locais de Porto Príncipe sem a presença dos militares, algo que inibe os entrevistados e a ausência de uma polícia, justiça e mesmo um porta-voz do governo em pleno funcionamento dificultam a tarefa de cruzar informações".
O jornalista ressalta ainda que "nenhuma informação é totalmente confiável, há critérios para avaliar a confiabilidade das fontes. É sempre necessário checar as informações do Exército com as Nações Unidas, observadores internacionais, moradores e qualquer outro personagem ou instituição envolvida". 





