Exclusivo: Diretor do INSI fala sobre o seqüestro de Portanova
Exclusivo: Diretor do INSI fala sobre o seqüestro de Portanova
Atualizado em 21/08/2006 às 12:08, por
por Lucas Pires/Redação Portal Imprensa.
Exclusivo: Diretor do INSI fala sobre o seqüestro de Portanova
"Aprendemos a valorizar os jornalistas". Esta é a opinião de Harold Pinder, diretor do INSI ( International News Safety Institute ), organização internacional fundada em 2003, cujo trabalho principal é prover conselho e treinamento de segurança para jornalistas, sobre o sequestro de Guilherme Portanova. O objetivo da organização é ajudá-los a evitar ataques e sequestros.Acompanhe trechos da entrevista. Na edição de setembro de IMPRENSA, veja especial sobre o sequestro de Portanova.
IMPRENSA - A INSI aconselhou a Globo a exibir o vídeo do PCC?
Harold Pinder - Não, nós apenas colocamos a Globo em contato com os especialistas em segurança, no caso, o Ake Group, especialista neste campo. O que aconteceu então entre as partes, e o conselho que foi dado, nós não sabemos.
IMPRENSA - Esse caso não pode abrir um novo precedente quanto à violência contra jornalistas no Brasil?
Pinder - Eu não sei. Eu digo o tempo todo que nós não tomamos uma posição quanto a isso. É por conta da organização jornalística e do país tomar a decisão que for para atender melhor os interesses de seus funcionários e sociedade.
IMPRENSA - Por que você acha que a Globo procurou a INSI? Só para obter conselhos ou estava procurando justificar sua ação?
Pinder - Bom, a Globo é membro da INSI, ela sabe que nós estamos em contato com experts , que isso é parte do que nós fazemos - provemos conselhos práticos e informações que ajudam jornalistas em situações de perigo. Eu devo dizer que todo este caso de apresentar uma declaração de um grupo para evitar mais violência não é algo inédito. O New York Times chegou a apresentar uma declaração do Unabomber, nos EUA, em 1995, para evitar mais bombardeios e violência. Então isto não é algo teoricamente novo.
IMPRENSA - Como a INSI vê a violência no Brasil?
Pinder - Bom, é algo perturbador porque o Brasil não está no topo das listas dos países quanto à violência contra jornalistas. Já foi um problema no passado, mas há muitos outros países que são piores, como Filipinas e Rússia. Iraque, hoje, é o pior país do mundo. Filipinas é o segundo. Eu não estou dizendo isso pra aliviar o problema no Brasil, mas qualquer país onde há ataques contra jornalistas é um problema.
IMPRENSA - E o que podem os grupos de mídia, como a Globo, fazer para evitar casos como este?
Pinder - A principal coisa que eles podem fazer é assegurar que seus funcionários sejam propriamente treinados a cuidar de si numa situação de perigo. E isso se consegue dando a eles o treinamento de segurança apropriado e equipamento. Claro que eles nunca estarão 100% seguros, mas as organizações jornalísticas e os próprios jornalistas podem fazer mais para protegê-los e cuidar deles mesmos. Eles precisam de mais conhecimento profissional para que isto seja possível.
IMPRENSA - O que podemos aprender, não apenas nós, jornalistas, mas a sociedade, com este caso?
Pinder - Acho que aprendemos o valor de uma imprensa livre, aprendemos os riscos que os jornalistas estão sujeitos ao nos manter informados. Talvez com isso aprendemos a ter mais consideração pelo trabalho dos jornalistas, pois, se eles não fossem tão vitais à sociedade livre, não seriam alvos daqueles que não gostam da sociedade livre, que querem calar a origem da informação. Os jornalistas são valiosos e deveriam receber melhores cuidados.






